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Segundo atentado a tiros contra Trump em quatro anos expõe fragilidades da segurança
Após ataque no Washington Hilton, governo americano anuncia revisão de protocolos; suspeito com espingarda e pistola chegou a um andar do salão onde presidente jantava com 2,6 mil convidados
Analise
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTiAkv-R5vhyJP-lvL8sAERQFNvJKbkQs83JA&s
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■   Bernardo Cahue, 26/04/2026

O segundo atentado a tiros contra o presidente Donald Trump em menos de dois anos — e o terceiro episódio grave desde 2024 — levou o governo americano a anunciar uma reavaliação ampla da estratégia de segurança pessoal do chefe do Executivo. O incidente ocorreu na noite de sábado (25) durante o Jantar de Correspondentes da Casa Branca, no Washington Hilton, o mesmo hotel onde o presidente Ronald Reagan foi baleado em 1981. O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, natural da Califórnia, foi detido após trocar tiros com agentes do Serviço Secreto, que responderam imediatamente e conseguiram conter a ameaça antes que ele invadisse o salão principal.

De acordo com a procuradoria-geral interina, o atirador — que portava uma espingarda, uma pistola e várias facas — estava hospedado no hotel e conseguiu ultrapassar parte do perímetro externo de segurança justamente por ser hóspede. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou à rede NBC News que “o suspeito tinha como alvo pessoas que trabalham no governo, possivelmente incluindo o presidente”. Relatos de testemunhas indicam que Allen passou correndo por nove agentes do Serviço Secreto antes de ser interceptado, em uma cena que expôs brechas na proteção de um dos eventos mais monitorados do calendário político americano.

O ataque reacendeu um debate que se arrasta desde 2024, quando Trump sobreviveu a duas tentativas de assassinato no espaço de dois meses — a primeira em julho, em Butler, Pensilvânia, quando uma bala lhe raspou a orelha; e a segunda em setembro, no seu clube de golfe Mar-a-Lago, na Flórida. Especialistas consultados pela imprensa internacional apontam que, apesar do sistema de proteção presidencial ser um dos mais sofisticados do mundo, os incidentes consecutivos evidenciam pontos cegos recorrentes. Em nota publicada neste domingo (26), a agência Reuters afirmou que a ocorrência “demonstra que mesmo o sistema de segurança pessoal mais abrangente do país tem vulnerabilidades”.

Entre as medidas em análise, fontes do governo citam:

  • Revisão de protocolos de acesso a eventos fechados: o fato de o suspeito ter conseguido circular livremente por ser hóspede do hotel levou o Serviço Secreto a recomendar a restrição total de hospedagem em locais que sediem eventos presidenciais, ou a criação de alas e elevadores exclusivos e com controle biométrico.
  • Instalação de detectores de metal em todas as entradas dos locais de evento: atualmente, só há revistas obrigatórias no acesso aos salões principais; os acessos comuns do hotel não passam por esse tipo de triagem. O correspondente da BBC Gary O’Donoghue, presente no jantar, relatou que “o segurança na porta externa apenas deu uma olhada superficial no meu ingresso”.
  • Criação de um “salão de festas seguro” na própria Casa Branca: Trump voltou a defender um projeto — já paralisado por ações judiciais — para construir um amplo espaço de eventos em terreno da residência oficial, que seria equipado com vidros à prova de balas, proteção contra drones e sistema de isolamento acústico e de metais. “Não é um prédio particularmente seguro. Aquele evento no Hilton mostrou por que precisamos do novo salão”, disse o presidente em entrevista coletiva ontem.
  • Aumento do efetivo em eventos oficiais com grande concentração de autoridades: embora as forças de segurança tenham reagido em segundos e neutralizado a ameaça, críticos apontam que o perímetro externo foi furado com facilidade. Ex-agentes do FBI ouvidos pela BBC defenderam a criação de um “anel de contenção absoluto” em todo o quarteirão onde ocorrem eventos presidenciais, com fechamento total de acessos não autorizados e verificação de identidade em três camadas distintas.

Apesar da rápida contenção e de não ter havido vítimas fatais (apenas um agente do Serviço Secreto foi baleado no colete à prova de balas e passa bem), o episódio gerou fortes críticas. O presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang, afirmou que o evento só não terminou em tragédia “pela competência e rapidez dos agentes em campo, e não pela solidez do planejamento prévio”. O jantar foi cancelado e será remarcado em até trinta dias, conforme anunciou Trump em sua rede Truth Social. Em pronunciamento, o presidente alternou elogios — “o Serviço Secreto fez um trabalho fantástico, agiu com rapidez e bravura” — com um alerta: “se isso continuar acontecendo, algo grave terá que mudar nos protocolos”.

O procurador-geral interino pediu calma durante as investigações, mas confirmou que o FBI já está analisando o trajeto do suspeito — que viajou de Los Angeles a Chicago e, de lá, a Washington, onde se hospedou um ou dois dias antes do ataque. Allen deve comparecer ao tribunal na segunda-feira (27) e responderá por, no mínimo, duas acusações federais. Conforme o secretário de Justiça interino, “o sistema funcionou porque o atirador não conseguiu sequer chegar à porta do salão. Mas isso não significa que não haja lições a aprender. As lições serão aplicadas imediatamente”.

O segundo atentado em quatro anos (computando-se os episódios de 2024 e 2026) forçou a Casa Branca a acelerar a criação de um Grupo de Trabalho Interagências sobre Segurança Presidencial Permanente, que deverá apresentar, em até 45 dias, um novo manual de conduta para eventos públicos e privados. A revisão inclui desde o uso de contra-ataques preventivos com drones e barreiras balísticas até a suspensão de eventos em hotéis que não permitam a blindagem integral do acesso de convidados. Como resumiu um ex-secretário do Serviço Secreto à agência Associated Press: “proteger um presidente que já foi alvo comprovado de ao menos três tentativas concretas de assassinato exige uma filosofia de segurança completamente distinta da que usamos até hoje”.

Com informações de G1, BBC News Brasil, CNN Brasil, Estadão, O Globo, Poder360, UOL, Veja, Reuters, Associated Press (AP), The Star (Malásia), The Telegraph India, The Boston Globe, The Daily Beast, NDTV, HK01, Chosun, Sacbee, WION News, The Times of India, Newswatch (Nigéria) e The Mirror ```■

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