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O segundo atentado a tiros contra o presidente Donald Trump em menos de dois anos — e o terceiro episódio grave desde 2024 — levou o governo americano a anunciar uma reavaliação ampla da estratégia de segurança pessoal do chefe do Executivo. O incidente ocorreu na noite de sábado (25) durante o Jantar de Correspondentes da Casa Branca, no Washington Hilton, o mesmo hotel onde o presidente Ronald Reagan foi baleado em 1981. O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, natural da Califórnia, foi detido após trocar tiros com agentes do Serviço Secreto, que responderam imediatamente e conseguiram conter a ameaça antes que ele invadisse o salão principal.
De acordo com a procuradoria-geral interina, o atirador — que portava uma espingarda, uma pistola e várias facas — estava hospedado no hotel e conseguiu ultrapassar parte do perímetro externo de segurança justamente por ser hóspede. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou à rede NBC News que “o suspeito tinha como alvo pessoas que trabalham no governo, possivelmente incluindo o presidente”. Relatos de testemunhas indicam que Allen passou correndo por nove agentes do Serviço Secreto antes de ser interceptado, em uma cena que expôs brechas na proteção de um dos eventos mais monitorados do calendário político americano.
O ataque reacendeu um debate que se arrasta desde 2024, quando Trump sobreviveu a duas tentativas de assassinato no espaço de dois meses — a primeira em julho, em Butler, Pensilvânia, quando uma bala lhe raspou a orelha; e a segunda em setembro, no seu clube de golfe Mar-a-Lago, na Flórida. Especialistas consultados pela imprensa internacional apontam que, apesar do sistema de proteção presidencial ser um dos mais sofisticados do mundo, os incidentes consecutivos evidenciam pontos cegos recorrentes. Em nota publicada neste domingo (26), a agência Reuters afirmou que a ocorrência “demonstra que mesmo o sistema de segurança pessoal mais abrangente do país tem vulnerabilidades”.
Entre as medidas em análise, fontes do governo citam:
Apesar da rápida contenção e de não ter havido vítimas fatais (apenas um agente do Serviço Secreto foi baleado no colete à prova de balas e passa bem), o episódio gerou fortes críticas. O presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang, afirmou que o evento só não terminou em tragédia “pela competência e rapidez dos agentes em campo, e não pela solidez do planejamento prévio”. O jantar foi cancelado e será remarcado em até trinta dias, conforme anunciou Trump em sua rede Truth Social. Em pronunciamento, o presidente alternou elogios — “o Serviço Secreto fez um trabalho fantástico, agiu com rapidez e bravura” — com um alerta: “se isso continuar acontecendo, algo grave terá que mudar nos protocolos”.
O procurador-geral interino pediu calma durante as investigações, mas confirmou que o FBI já está analisando o trajeto do suspeito — que viajou de Los Angeles a Chicago e, de lá, a Washington, onde se hospedou um ou dois dias antes do ataque. Allen deve comparecer ao tribunal na segunda-feira (27) e responderá por, no mínimo, duas acusações federais. Conforme o secretário de Justiça interino, “o sistema funcionou porque o atirador não conseguiu sequer chegar à porta do salão. Mas isso não significa que não haja lições a aprender. As lições serão aplicadas imediatamente”.
O segundo atentado em quatro anos (computando-se os episódios de 2024 e 2026) forçou a Casa Branca a acelerar a criação de um Grupo de Trabalho Interagências sobre Segurança Presidencial Permanente, que deverá apresentar, em até 45 dias, um novo manual de conduta para eventos públicos e privados. A revisão inclui desde o uso de contra-ataques preventivos com drones e barreiras balísticas até a suspensão de eventos em hotéis que não permitam a blindagem integral do acesso de convidados. Como resumiu um ex-secretário do Serviço Secreto à agência Associated Press: “proteger um presidente que já foi alvo comprovado de ao menos três tentativas concretas de assassinato exige uma filosofia de segurança completamente distinta da que usamos até hoje”.
Com informações de G1, BBC News Brasil, CNN Brasil, Estadão, O Globo, Poder360, UOL, Veja, Reuters, Associated Press (AP), The Star (Malásia), The Telegraph India, The Boston Globe, The Daily Beast, NDTV, HK01, Chosun, Sacbee, WION News, The Times of India, Newswatch (Nigéria) e The Mirror ```■