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Novo episódio de racha na direta faz Flávio Bolsonaro pedir paz
Última série de provocações entre Nikolas Ferreira e Jair Renan nas redes sociais trazem novamente à tona o risco de desgaste interno constante
Politica
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■   Bernardo Cahue, 25/04/2026

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) protagonizaram uma nova troca de provocações nas redes sociais na última sexta-feira (24), acirrando os ânimos na base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio, que rapidamente ganhou repercussão, levou o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a intervir publicamente com um pedido de pacificação, alertando para o risco de desgaste interno no campo conservador.


O estopim nas redes

A confusão teve início quando Nikolas Ferreira publicou um vídeo em seu perfil no Instagram destacando ações de seu mandato na Câmara dos Deputados. Na gravação, o deputado mineiro aparecia vestindo uma camiseta branca, diferindo do figurino preto que costuma usar em seus tradicionais vídeos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foi então que o influenciador bolsonarista Junior Japa compartilhou um print do vídeo na plataforma X (antigo Twitter) e ironizou: “Se trocou a camiseta preta pela branca é porque sentiu”. A provocação veio acompanhada da insinuação de que Nikolas estaria trocando apoio político por emendas parlamentares e não estaria colaborando adequadamente com a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Irritado com a cutucada, Nikolas respondeu de forma contundente: “Vou mandar emenda também para internar vocês num hospício”. O comentário, no entanto, não foi suficiente para conter a escalada da discussão.

A resposta do "Zero Quatro"

Na sequência, o vereador Jair Renan Bolsonaro, conhecido como “Zero Quatro”, entrou na conversa de maneira irônica. Ele publicou “Galvão?”, em referência a um famoso meme envolvendo o narrador Galvão Bueno e o repórter Tino Marcos. Junior Japa completou a brincadeira com “Diga, Tino”, ao que Jair Renan finalizou com a palavra “Sentiu!”.

Em sua tréplica, Nikolas Ferreira elevou o tom do embate. O deputado postou um print da sequência de mensagens na íntegra e escreveu: “Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega”. A analogia explícita à inteligência dos interlocutores rapidamente tomou conta das redes sociais e foi parar nos trending topics da plataforma.

Irmão mais velho apaga incêndio

Diante da repercussão negativa e do evidente racha na base, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu recolher os cacos da relação. Em uma publicação nas redes sociais na noite da última sexta-feira, Flávio afirmou estar preocupado com o clima de “provocações e cobranças dentro do nosso próprio time”. Sem defender explicitamente seu irmão ou criticar Nikolas, o pré-candidato pediu comedimento aos aliados.

“Preciso muito de todos me defendendo das mentiras criminosas da esquerda e esfregando a verdade na cara deles. Mas fica aqui meu pedido sincero: não precisa ‘pressionar’ ninguém ou me ‘defender’ de pessoas que também querem Bolsonaro na Presidência da República”, escreveu Flávio. Em um trecho emblemático do texto, o senador completou: “Apoio não se impõe, conquista-se! Deixe-me fazer do meu jeito”.

Nikolas desabafa e expõe bastidores

O pedido de pacificação de Flávio Bolsonaro, no entanto, foi recebido como uma oportunidade de desabafo por Nikolas Ferreira. O deputado mineiro publicou um longo texto em resposta, alegando ser vítima de perseguição silenciosa há mais de três anos. “As provocações que tenho sofrido já vêm acontecendo há 3 anos. E permaneço calado. Mas como todo ser humano, tenho um limite”.

Nikolas afirmou que a pressão interna para declarar apoio aberto à pré-candidatura de Flávio criou um ambiente insustentável. “Isso tem gerado um clima que ninguém mais suporta”, desabafou. “Até cor de camisa é argumento para conflitos. Como aturar isso?”. Em sua fala, o deputado mineiro negou ter fomentado as brigas e criticou quem, segundo ele, se acha “mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”.

Apesar da mágoa, Nikolas reafirmou sua aliança com a família: “Flávio, saiba que eu farei de tudo para você chegar ao Planalto”. A fala, entretanto, não conteve a percepção de que os bastidores da direita estão em ebullicão.

Histórico de desavenças

O episódio envolvendo Jair Renan não é um fato isolado. Nas últimas semanas, Nikolas Ferreira já havia protagonizado desentendimentos públicos com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em abril, após uma troca de farpas nas redes, Eduardo chamou Nikolas de ingrato e chegou a afirmar que “os holofotes fizeram mal” ao parlamentar mineiro. A briga entre os dois foi tão intensa que exigiu a intervenção do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e até mesmo telefonemas pessoais de Flávio Bolsonaro para tentar acalmar os ânimos. A trégua, no entanto, foi curta.

Análise política

Para analistas políticos, o novo confronto expõe uma fragilidade significativa do bolsonarismo neste momento de definição de palanques para 2026. Mais do que uma simples briga de internet, a troca de farpas revela uma disputa interna pelo controle narrativo e pela divisão do espólio político deixado por Jair Bolsonaro.

A avaliação no entorno de Flávio Bolsonaro é de que Nikolas Ferreira estaria evitando “colar” sua imagem à candidatura para não dividir protagonismo dentro da direita. Já o deputado mineiro rebate afirmando que sua estratégia é falar para além da base bolsonarista, evitando o patrulhamento ideológico das redes e buscando conquistar novos eleitores“.

O fato é que a necessidade de Flávio Bolsonaro atuar como bombeiro de seu próprio campo acende um alerta laranja na campanha. Em vez de focar nas críticas ao governo adversário, o clã Bolsonaro desperdiça energia tentando conter a sangria interna, oferecendo munição para que adversários políticos explorem publicamente a desorganização do núcleo mais próximo do ex-presidente.

Com informações de G1, Gazeta do Povo, Jovem Pan, Veja, ND+, Bahia Notícias, Brasil 247, InfoMoney, O Globo, UOL e Metrópoles ■

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