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Conselheiro de Trump chama mulheres brasileiras de “raça maldita”
Italiano Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais, proferiu uma série de declarações misóginas em entrevista à TV italiana RAI, gerando revolta e condenação
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 24/04/2026

O enviado especial para assuntos globais do governo de Donald Trump, o empresário ítalo-americano Paolo Zampolli, protagonizou um grave episódio de misoginia e xenofobia ao proferir uma série de insultos contra as mulheres brasileiras. Em uma entrevista à emissora estatal italiana RAI, exibida em 23 de abril de 2026, Zampolli afirmou que as brasileiras são uma “raça maldita” e “programadas para causar confusão”, utilizando termos como “putas” e “vaca” para se referir a elas. As declarações foram dadas no contexto de uma acirrada disputa judicial com sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase 20 anos e que o acusa de abuso sexual, psicológico e violência doméstica.

Durante a entrevista, Zampolli começou a falar sobre o tema ao comentar sobre a ex-mulher. “As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa foi a primeira”, afirmou, em referência a Amanda. Questionado pelo repórter italiano se o comportamento seria uma “questão genética” das brasileiras, Zampolli negou, mas reforçou as falas misóginas. “As mulheres brasileiras são programadas”, disse. “Para extorquir?”, perguntou o jornalista. “Não, para causar confusão”, respondeu Zampolli.

Em outro momento da entrevista, a situação se agravou. Ao ser questionado sobre uma amiga de sua ex-esposa, identificada apenas como “Lidia”, Zampolli subiu o tom e fez novas declarações ofensivas. Sem saber que estava sendo gravado, disparou: “É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca”. Os advogados de Zampolli tentaram impedir a exibição das falas, argumentando que elas teriam sido ditas off the record, mas a produção do programa descartou a alegação, afirmando que o assessor presidencial não poderia ser tratado como um cidadão comum.

As falas misóginas de Zampolli não foram um incidente isolado, mas sim uma escalada em um conflito pessoal de grandes proporções. Ele e Amanda Ungaro se conheceram em 2002, em uma boate em Nova York, quando ela tinha 18 anos e ele 32. Casaram-se no ano seguinte e tiveram um filho, hoje com 15 anos, cuja guarda é disputada na Justiça americana. Amanda Ungaro alega que o fim do casamento se deu devido a repetidas agressões e acusa o ex-marido de abuso sexual e violência doméstica. Além disso, segundo o jornal The New York Times, Zampolli teria usado sua influência política para ter a ex-mulher deportada. O jornal reportou que, após descobrir que Amanda estava presa em Miami sob acusações de fraude, ele teria entrado em contato com um alto funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) para denunciar seu suposto status ilegal no país. Amanda foi deportada em outubro de 2025.

A proximidade de Zampolli com o presidente Trump é antiga e bem documentada. Conhecido por ser um amigo de longa data e aliado do republicano, Zampolli é frequentemente creditado como a pessoa que apresentou a modelo Melania Knauss a Trump em 1998, em uma festa em Nova York. Assumiu o cargo de enviado especial para assuntos globais em março de 2025. A Casa Branca e o próprio Paolo Zampolli foram procurados pelas redações para comentar as declarações, mas não haviam se manifestado até a publicação desta nota.

O caso também reacendeu discussões sobre a influência e os métodos de aliados próximos ao ex-presidente, levantando questões sobre os limites éticos e morais de membros de sua administração. A situação foi amplamente repercutida e condenada por veículos de imprensa brasileiros e internacionais, que apontaram a gravidade das acusações e o caráter misógino e racista das falas do conselheiro. O caso serve como um alerta para a influência tóxica que figuras próximas ao poder podem exercer, tanto em esfera pessoal quanto pública, e reacende a necessidade de constante vigilância contra discursos de ódio e abuso de poder.

Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, UOL, Jovem Pan, CBN, GaúchaZH, Diário do Centro do Mundo, IstoÉ, Público, Mother Jones, People, International Business Times, The New York Times ■

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