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O governo dos Estados Unidos emitiu, por meio de sua Embaixada Virtual no Irã, um alerta de segurança na última terça-feira (21) orientando todos os cidadãos norte-americanos a deixarem o território iraniano imediatamente. A ordem tem como pano de fundo a reabertura parcial do espaço aéreo do país — fechado desde o início da escalada militar entre EUA, Israel e Irã em 28 de fevereiro — e ocorre em meio a um novo episódio de ataques no Estreito de Ormuz, que elevou ainda mais as tensões na região nesta quarta-feira (22).
De acordo com o comunicado oficial, os cidadãos americanos devem aproveitar a janela de oportunidade criada pela reabertura dos voos internacionais em algumas capitais, incluindo Teerã, para deixar o país o mais rápido possível. “Os cidadãos dos EUA devem deixar o Irã agora, monitorar a mídia local em busca de atualizações e consultar as companhias aéreas comerciais para obter informações adicionais sobre voos de saída do Irã”, afirma o documento publicado no site da representação diplomática virtual.
Os cidadãos que buscam deixar o Irã também podem fazê-lo por terra, com rotas recomendadas para Armênia, Azerbaijão, Turquia e Turcomenistão. A fronteira terrestre armênia em Agarak/Norduz está aberta, permitindo entrada sem visto por até 180 dias. As passagens de fronteira turcas em Gürbulak/Bazargan, Kap?köy/Razi e Esendere/Serow também estão acessíveis para cidadãos americanos e de outros países, com permanência de até 90 dias sem visto. Já o Azerbaijão mantém suas fronteiras fechadas para tráfego rotineiro, sendo considerado apenas como último recurso.
O alerta lista uma série de riscos iminentes para os norte-americanos que permanecem no país:
O Departamento de Estado dos EUA já havia classificado o Irã como destino de Nível 4 — “Não Viajar” — e orientações semelhantes foram emitidas em janeiro, fevereiro e março de 2026. Em 13 de janeiro, o presidente Donald Trump, ao ser questionado se cidadãos americanos ou de países aliados deveriam deixar o Irã, respondeu: “Eu diria que não é uma má ideia sair”. Na ocasião, o país vivia uma onda de protestos antigoverno que já havia deixado mais de duas mil mortes, segundo grupos de direitos humanos. No início de fevereiro, o alerta foi renovado, acrescentando que cidadãos deveriam ter estoques de alimentos, água e medicamentos, manter perfil discreto e considerar a saída por terra para Armênia ou Turquia.
As tensões entre Washington e Teerã se intensificaram ainda mais após o fim de semana, quando o Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz e atacou embarcações na região. Nesta quarta-feira (22), três navios foram alvejados por forças iranianas, dois deles apreendidos pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (GRII), elevando o risco de um colapso definitivo do cessar-fogo anunciado no início de abril. O presidente Trump anunciou na segunda-feira (20) a extensão do cessar-fogo com o Irã, mas os ataques no estreito ocorreram menos de 24 horas depois.
A reabertura parcial do espaço aéreo iraniano, em 18 de abril, permitiu a retomada de voos comerciais internacionais e foi o gatilho para o novo alerta. No entanto, o governo dos EUA reforça que a situação continua volátil e pede que os cidadãos não contem com assistência governamental para evacuação. A senadora Elizabeth Warren, em audiência nesta quarta-feira (22), cobrou explicações do comando de transporte dos EUA sobre falhas na evacuação de americanos do Oriente Médio no início da guerra, revelando que o governo Trump admitiu não ter planos de evacuação para cidadãos no exterior.
A ordem de saída dos EUA se alinha a movimentos similares adotados por outros países. China, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Polônia também emitiram alertas nos últimos meses recomendando que seus cidadãos deixassem o Irã devido ao agravamento das condições de segurança. O Japão, por sua vez, reduziu sua presença diplomática em Teerã a partir de 17 de janeiro e também orientou seus nacionais a deixarem o país.
O governo Trump também ampliou o alerta para toda a região do Oriente Médio. Em 23 de março, o Departamento de Estado emitiu uma “precaução mundial” (worldwide caution) pedindo que americanos em todo o mundo, especialmente no Oriente Médio, exerçam cautela redobrada. Em 8 de abril, a Embaixada dos EUA no Iraque recomendou que cidadãos americanos deixassem o Iraque por terra, evitando viagens aéreas, após ameaças de grupos armados apoiados pelo Irã. No mesmo dia, o presidente Trump declarou que todas as forças militares dos EUA, incluindo navios, aeronaves e pessoal, continuariam posicionadas “dentro e ao redor do Irã” até que um acordo fosse plenamente cumprido.
O alerta de segurança da Embaixada Virtual dos EUA no Irã — criada em 2011 devido à ausência de relações diplomáticas formais entre os dois países — é o canal oficial para emissão de comunicados e informações sobre vistos, já que os interesses norte-americanos são representados pela Suíça em Teerã. O governo Trump reforça que cidadãos devem se inscrever no Programa de Cadastro de Viajantes Inteligentes (STEP) para receber atualizações de segurança e contatar os Serviços Consulares aos Cidadãos Americanos (ACS) em Yerevan, capital da Armênia, para apoio na saída pela fronteira.
Com informações de U.S. Virtual Embassy Iran, CNN Brasil, Poder360, G1, BBC News Brasil, News Central TV, Reuters, WION, Daily Times, The Hill, BDNews24, Chosun, AA.com.tr, ANBA News Agency, EGSea, Indian Express, Arab Times, Hindustan Times, Sputnik News, The Paper, Kurdistan24, Bastille Post, Stheadline, 163.com, SIC Notícias, Exame, e Wikipedia ■