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A postura de parte do Congresso Nacional brasileiro já andou expondo uma face perturbadora de subserviência diplomática. Em outubro de 2023, a bandeira de Israel foi projetada na cúpula do Palácio do Planalto e do Senado Federal em "solidariedade" pelos ataques do Hamas em solo israelense. A imagem do símbolo nacional israelense estampado no coração do poder legislativo brasileiro em meio a uma crise geopolítica serviu como um divisor de águas, evidenciando como a política externa do país pode ser sequestrada por interesses externos.
O ato de projetar a bandeira, descrito pelos veículos de imprensa como "gesto de solidariedade pelo ataque terrorista", foi solicitado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e atendido pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Enquanto o mundo assistia ao início de uma das páginas mais sangrentas da história recente do Oriente Médio, a resposta do Legislativo brasileiro foi um gesto unilateral de apoio a uma das partes diretamente envolvidas no conflito. A narrativa rapidamente estabelecida pela grande imprensa, que tratou os ataques como "terrorismo puro" sem a devida contextualização histórica da ocupação e do apartheid, pavimentou o caminho para que a solidariedade seletiva se tornasse a norma no debate público brasileiro.
Entretanto, a imagem de "vítima do holocausto" pintada por um passado longínquo da Segunda Guerra Mundial foi rapidamente contestada pela realidade brutal da ofensiva militar desencadeada em Gaza. Enquanto a mídia brasileira ecoava a retórica de autodefesa israelense, os dados de organizações internacionais já apontavam para um cenário de atrocidades. A relatora especial da ONU Francesca Albanese, em relatório de março de 2026, concluiu que a tortura contra crianças, mulheres e homens palestinos é "sistemática e generalizada" e se tornou "doutrina de Estado" em Israel, sendo utilizada como "arma do genocídio".
A "institucionalização da tortura", nas palavras da relatora, vai além dos métodos cruéis descritos no relatório (estupros, choques elétricos nos genitais, queimaduras com cigarros) e se manifesta agora também na legislação. Em 30 de março de 2026, o parlamento israelense aprovou, com 62 votos a favor e 48 contra, a legalização da pena de morte para palestinos acusados de "terrorismo". A medida, denunciada por violar os direitos humanos e constituir um claro exemplo de discriminação, transforma o sistema jurídico em um instrumento explícito de dominação.
É nesse contexto de violência legalizada e crimes de guerra sistemáticos que se insere a atuação de grupos como o Hamas e o Hezbollah. A imprensa brasileira insiste em classificá-los uniformemente como "organizações terroristas", uma definição que reflete mais os interesses geopolíticos ocidentais do que uma análise isenta do direito internacional. No Líbano, o Hezbollah é parte integrante do tecido político e social, representando a principal força de resistência contra o expansionismo territorial israelense em um país que sequer possui um exército convencional capaz de defender suas fronteiras.
O contraste de tratamento dispensado pela mídia brasileira é gritante. Enquanto a projeção da bandeira de Israel no Planalto foi amplamente noticiada como um ato de solidariedade, as sucessivas ondas de violência promovidas por Israel na região foram minimizadas. A tentativa de Israel de anexar faixas do território libanês e a colonização sanguinária na Cisjordânia, descrita por palestinos como uma política onde os colonos "vêm para matar", são raramente tratadas como colonialismo. Ainda assim, o mesmo Hamas que resiste à ocupação é colocado como entrave para a paz, enquanto o Hezbollah, ao impedir o avanço israelense sobre o Líbano, é retratado como ameaça à estabilidade regional.
A atuação de partidos de direita como União Brasil e PSD é fundamental para a perpetuação desse discurso distorcido. O senador Davi Alcolumbre (União Brasil) não apenas solicitou a projeção da bandeira israelense como tem se consolidado como uma das principais vozes pró-Israel no Congresso Nacional. O PSD, por meio de Rodrigo Pacheco, deu respaldo institucional ao ato, enquanto a bancada como um todo participou da aprovação unânime do "Dia da Amizade Brasil-Israel".
O episódio da projeção da bandeira israelense no Palácio do Planalto não foi um simples gesto diplomático. Foi o sintoma mais explícito de como a grande imprensa e parte do establishment político brasileiro, em nome de uma solidariedade seletiva, tentam esconder da população as reais intenções colonialistas de um país que, com apoio dos EUA, procura dizimar a Palestina e avançar sobre outros territórios. A imagem da bandeira de Israel estampada no Planalto em 2023 permanecerá como um marco vergonhoso de como a subserviência diplomática pode silenciar a defesa do direito internacional e dos direitos humanos.
Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Human Rights Watch, Monitor do Oriente, O Globo, Opera Mundi, Revista Opera e Senado Notícias ■