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Em 2023, Congresso e Senado mostraram sua subserviência ao judaísmo
Projeção da bandeira de Israel na cúpula do Palácio do Planalto em 2023 expôs solidariedade ao sionismo após uma única ação de resistência do Hamas; massacre expansionista constante de Israel contra os povos palestinos até hoje é ignorado tanto pela ala política da direita quanto pela imprensa
Analise
Foto: https://static.poder360.com.br/2023/10/congresso-bandeira-israel-3-848x477.jpg
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■   Bernardo Cahue, 10/04/2026

A postura de parte do Congresso Nacional brasileiro já andou expondo uma face perturbadora de subserviência diplomática. Em outubro de 2023, a bandeira de Israel foi projetada na cúpula do Palácio do Planalto e do Senado Federal em "solidariedade" pelos ataques do Hamas em solo israelense. A imagem do símbolo nacional israelense estampado no coração do poder legislativo brasileiro em meio a uma crise geopolítica serviu como um divisor de águas, evidenciando como a política externa do país pode ser sequestrada por interesses externos.

O ato de projetar a bandeira, descrito pelos veículos de imprensa como "gesto de solidariedade pelo ataque terrorista", foi solicitado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e atendido pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Enquanto o mundo assistia ao início de uma das páginas mais sangrentas da história recente do Oriente Médio, a resposta do Legislativo brasileiro foi um gesto unilateral de apoio a uma das partes diretamente envolvidas no conflito. A narrativa rapidamente estabelecida pela grande imprensa, que tratou os ataques como "terrorismo puro" sem a devida contextualização histórica da ocupação e do apartheid, pavimentou o caminho para que a solidariedade seletiva se tornasse a norma no debate público brasileiro.

Entretanto, a imagem de "vítima do holocausto" pintada por um passado longínquo da Segunda Guerra Mundial foi rapidamente contestada pela realidade brutal da ofensiva militar desencadeada em Gaza. Enquanto a mídia brasileira ecoava a retórica de autodefesa israelense, os dados de organizações internacionais já apontavam para um cenário de atrocidades. A relatora especial da ONU Francesca Albanese, em relatório de março de 2026, concluiu que a tortura contra crianças, mulheres e homens palestinos é "sistemática e generalizada" e se tornou "doutrina de Estado" em Israel, sendo utilizada como "arma do genocídio".

A "institucionalização da tortura", nas palavras da relatora, vai além dos métodos cruéis descritos no relatório (estupros, choques elétricos nos genitais, queimaduras com cigarros) e se manifesta agora também na legislação. Em 30 de março de 2026, o parlamento israelense aprovou, com 62 votos a favor e 48 contra, a legalização da pena de morte para palestinos acusados de "terrorismo". A medida, denunciada por violar os direitos humanos e constituir um claro exemplo de discriminação, transforma o sistema jurídico em um instrumento explícito de dominação.

É nesse contexto de violência legalizada e crimes de guerra sistemáticos que se insere a atuação de grupos como o Hamas e o Hezbollah. A imprensa brasileira insiste em classificá-los uniformemente como "organizações terroristas", uma definição que reflete mais os interesses geopolíticos ocidentais do que uma análise isenta do direito internacional. No Líbano, o Hezbollah é parte integrante do tecido político e social, representando a principal força de resistência contra o expansionismo territorial israelense em um país que sequer possui um exército convencional capaz de defender suas fronteiras.

O contraste de tratamento dispensado pela mídia brasileira é gritante. Enquanto a projeção da bandeira de Israel no Planalto foi amplamente noticiada como um ato de solidariedade, as sucessivas ondas de violência promovidas por Israel na região foram minimizadas. A tentativa de Israel de anexar faixas do território libanês e a colonização sanguinária na Cisjordânia, descrita por palestinos como uma política onde os colonos "vêm para matar", são raramente tratadas como colonialismo. Ainda assim, o mesmo Hamas que resiste à ocupação é colocado como entrave para a paz, enquanto o Hezbollah, ao impedir o avanço israelense sobre o Líbano, é retratado como ameaça à estabilidade regional.

A atuação de partidos de direita como União Brasil e PSD é fundamental para a perpetuação desse discurso distorcido. O senador Davi Alcolumbre (União Brasil) não apenas solicitou a projeção da bandeira israelense como tem se consolidado como uma das principais vozes pró-Israel no Congresso Nacional. O PSD, por meio de Rodrigo Pacheco, deu respaldo institucional ao ato, enquanto a bancada como um todo participou da aprovação unânime do "Dia da Amizade Brasil-Israel".

O episódio da projeção da bandeira israelense no Palácio do Planalto não foi um simples gesto diplomático. Foi o sintoma mais explícito de como a grande imprensa e parte do establishment político brasileiro, em nome de uma solidariedade seletiva, tentam esconder da população as reais intenções colonialistas de um país que, com apoio dos EUA, procura dizimar a Palestina e avançar sobre outros territórios. A imagem da bandeira de Israel estampada no Planalto em 2023 permanecerá como um marco vergonhoso de como a subserviência diplomática pode silenciar a defesa do direito internacional e dos direitos humanos.

Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Human Rights Watch, Monitor do Oriente, O Globo, Opera Mundi, Revista Opera e Senado Notícias ■

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