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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou na manhã desta terça-feira (31) que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) será novamente seu companheiro de chapa na disputa pela reeleição em 2026. O anúncio foi feito durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, que marcou o início da reforma ministerial para adequação à legislação eleitoral e a despedida de ao menos 18 ministros que deixarão o governo para disputar outros cargos .
“O companheiro Alckmin vai ter que deixar o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez”, declarou Lula em tom de despedida, arrancando aplausos dos auxiliares presentes . A afirmação do presidente encerra semanas de especulações e debates nos bastidores do governo e da base aliada, que colocavam em dúvida a reedição da chapa vitoriosa de 2022 .
Uma decisão que enterra outras especulações
A confirmação de Alckmin como vice representa um desfecho para um período de indefinição alimentado pelo próprio presidente. Em ocasiões anteriores, Lula havia declarado que a “vaga de vice estava aberta” para Alckmin, mas também admitiu a possibilidade de o tucano ser candidato ao Senado por São Paulo para fortalecer a chapa de Fernando Haddad (PT), que disputará o governo estadual . A ideia de remanejar Alckmin para o Senado ganhou força em meio a pressões de setores do PT, que defendiam que a vaga de vice fosse utilizada para atrair um partido de maior peso eleitoral, como o MDB ou o PSD, ampliando assim a aliança ao centro .
Ao optar pela manutenção da parceria com Alckmin, Lula sinalizou que a lealdade, a funcionalidade da parceria no governo e a estabilidade da aliança com o PSB foram fatores mais decisivos do que a tentativa de redesenhar a chapa em busca de novos dividendos políticos . Aliados próximos ao presidente destacaram a admiração de Lula pela competência e lealdade de Alckmin, um sentimento que prevaleceu sobre a estratégia de alargamento da base aliada .
Reunião de despedida e “missões importantes”
A reunião ministerial desta terça-feira teve como principal objetivo realizar um balanço da gestão e oficializar a “passagem de bastão” para os novos titulares das pastas que ficarão vagas. Cerca de 18 ministros devem deixar seus cargos até o próximo sábado (4) para concorrer nas eleições de outubro . Em seu discurso, Lula agradeceu aos que saem e definiu a disputa eleitoral como uma “missão muito mais importante”, pedindo que os futuros candidatos se engajem para mudar o que chamou de “promiscuidade na política” .
“Alguns companheiros e companheiras nos deixarão por missões muito mais importantes nos próximos meses. O que é importante é que vocês estejam convencidos da importância da participação de vocês e, mais do que isso, que estejam dispostos a entrar na vida parlamentar para ajudar a mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e na brasileira”, afirmou o presidente .
Entre os ministros que deixam o governo para disputar as eleições, Lula também confirmou a saída da ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), que deve concorrer ao Senado por São Paulo, e a da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (PSOL), que também será candidata .
Substituições e foco na conclusão de projetos
Para minimizar o impacto das mudanças, Lula afirmou que optou por não nomear “ministros novos”, escalando, na maioria dos casos, os secretários-executivos para os comandos interinos ou efetivos das pastas. O objetivo, segundo o presidente, é dar continuidade aos trabalhos e focar na conclusão de projetos até o fim do ano. “Não tem novo plano de governo. Temos muita coisa para concluir até 31 de dezembro, e a obrigação de quem fica é concluir, fazer com que a máquina fique sem nenhuma paralisação”, explicou .
Alguns dos novos nomes confirmados foram Bruno Moretti, que assume o Planejamento no lugar de Simone Tebet, e Dario Durigan, que assume a Fazenda, anteriormente comandada por Fernando Haddad, agora pré-candidato ao governo de São Paulo . A coordenação da máquina pública durante o período eleitoral ficará a cargo da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior .
Contexto político e críticas
Em sua fala, Lula também fez duras críticas ao cenário político nacional e ao seu principal adversário nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um discurso de tom de campanha, o presidente pediu que seus ministros atuem para mudar a “promiscuidade” na política e afirmou que, se eleito, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “entregará o Brasil aos Estados Unidos” . “A política piorou muito. Hoje ainda tem muita gente séria, que faz política com P maiúsculo, mas a verdade é que, em muitos casos, a política virou negócio”, declarou .
Com a confirmação de Alckmin como vice e a definição das primeiras peças do xadrez eleitoral, o governo dá início oficialmente à sua campanha pela reeleição, com a expectativa de que a máquina administrativa mantenha seu ritmo de trabalho enquanto seus principais quadros migram para a disputa nas urnas.
Com informações de CBN Globo, Folha de S.Paulo, Metrópoles, O Estado de S. Paulo, Congresso em Foco, SBT News, UOL Notícias, Brasil 247 ■