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Trump avalia fim da guerra contra o Irã mesmo com Estreito de Ormuz fechado, diz jornal
Em meio a avanços diplomáticos contestados por Teerã, presidente dos EUA endurece tom e considera invasão à Ilha de Kharg; preço do petróleo dispara e conflito se alastra pelo Golfo
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 31/03/2026

Em um movimento repleto de contradições e tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que negocia “sérias discussões” com um “novo e mais razoável regime” para encerrar as operações militares no Irã, ao mesmo tempo em que ameaça obliterar a infraestrutura energética e hídrica do país caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto imediatamente. As declarações, publicadas na plataforma Truth Social e em entrevista ao Financial Times, ocorrem em um momento crítico do conflito, que completa um mês no dia 28 de março, e expõem a fragilidade dos esforços diplomáticos conduzidos por intermediários como o Paquistão .

Embora Trump afirme que “grandes progressos” estão sendo feitos em direção a um acordo, as autoridades iranianas rejeitam veementemente qualquer noção de negociações diretas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou a proposta de paz de 15 pontos apresentada pelos EUA como “excessiva, irrealista e ilógica”, enfatizando que Teerã não participou de conversas diretas com Washington, limitando-se a receber mensagens por meio de mediadores .

A escalada retórica de Trump inclui uma ameaça explícita de destruição em larga escala. Em sua postagem, o presidente norte-americano declarou que, se um acordo não for alcançado em breve e o Estreito de Ormuz não for reaberto para negócios, os EUA “concluirão nossa amável estadia no Irã explodindo e aniquilando completamente todas as suas usinas de energia, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!)” . A Ilha de Kharg é um ponto estratégico vital, por onde escoam cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas, e sua captura exigiria uma incursão terrestre significativa .

O presidente também sugeriu, em entrevista ao Financial Times, que a invasão da ilha é uma opção realista. “Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, afirmou Trump, admitindo que uma eventual ocupação implicaria na permanência de forças americanas no local “por um tempo” . Essa possibilidade, no entanto, levanta alarmes entre especialistas militares, que apontam o risco de um conflito prolongado com baixas crescentes, especialmente porque o Irã já teria instalado armadilhas e reforçado suas defesas aéreas na região .

Enquanto a diplomacia avança em marcha lenta, o cenário no terreno é de violência generalizada e consequências econômicas globais. O Estreito de Ormuz, artéria vital por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial em tempos de paz, permanece efetivamente fechado para a maior parte do tráfego, conforme exigido por Teerã como resposta aos ataques . Nos últimos dias, os combates se intensificaram, com relatos de ataques a refinarias e infraestruturas críticas em ambos os lados.

Entre os incidentes mais recentes, destaca-se:

  • Ataque a refinaria em Haifa: Um complexo de refino de petróleo em Haifa, Israel, foi atingido por destroços de um míssil interceptado, resultando em um incêndio de grandes proporções. As Forças de Defesa de Israel confirmaram ataques a infraestrutura militar em Teerã e Beirute .
  • Ofensiva iraniana no Golfo: O Irã intensificou ataques contra os vizinhos do Golfo. No Kuwait, um ataque a uma usina de energia e dessalinização matou um trabalhador e feriu dez soldados. A Arábia Saudita interceptou mísseis sobre sua província oriental, e o Bahrein registrou alertas de projéteis .
  • Aumento do preço do petróleo: A escalada das tensões e a ameaça de destruição das instalações energéticas iranianas fizeram o preço do Brent cruzar a marca de US$ 116 o barril, elevando os temores de uma crise energética global com impactos severos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial .
  • Baixas civis: A guerra tem causado um pesado tributo à população civil. A mídia estatal iraniana informou que um ataque dos EUA e Israel a um orfanato na cidade de Fardis, a oeste de Teerã, matou pelo menos duas pessoas. Relatórios apontam que mais de 230 crianças já foram mortas no Irã desde o início do conflito .

A comunidade internacional reage de forma fragmentada. Em um apelo direto e emocionado, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, declarou que “ninguém pode acabar com a guerra em nossa região, no Golfo, exceto você”, dirigindo-se a Trump. Sisi pediu um cessar-fogo imediato, alertando para as perigosas consequências da continuação das hostilidades . Em contraste, a Espanha, membro da OTAN, fechou seu espaço aéreo e negou o uso de suas bases militares para aeronaves dos EUA envolvidas na guerra, com a ministra da Defesa, Margarita Robles, classificando o conflito como “profundamente ilegal e profundamente injusto” .

No front diplomático, o Paquistão tem atuado como um facilitador chave, hospedando reuniões com ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Turquia e Egito para tentar criar condições para um diálogo estruturado. No entanto, as fontes indicam que as posições permanecem distantes. Enquanto Trump pressiona por um acordo rápido, o Irã busca garantias mais amplas. Analistas e fontes próximas ao governo iraniano indicam que Teerã não está mais disposta a retornar ao status quo anterior à guerra. As exigências persas incluem reparações de guerra, garantias vinculativas contra futuras ações militares e, crucialmente, um papel formal no controle do Estreito de Ormuz .

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, ecoou o sentimento de desafio, afirmando que as forças iranianas aguardam a chegada de soldados americanos ao solo para “incendiá-los” e punir seus parceiros regionais . Em contrapartida, a Casa Branca afirma que o presidente Trump está em “estreito contato” com os parceiros do Oriente Médio e que a operação, batizada de “Fúria Épica”, está próxima de cumprir seus objetivos definidos .

A confusão de sinais enviados por Trump — ora falando em progresso e acordos, ora ameaçando destruição total — é vista por analistas como uma estratégia para manter os adversários em desequilíbrio, mas também como um reflexo da ausência de uma estratégia de saída clara. O envio de milhares de fuzileiros navais e soldados adicionais ao Oriente Médio, incluindo forças de operações especiais, sugere uma preparação para uma potencial escalada, mesmo enquanto o presidente fala em encerrar a guerra .

Com o petróleo em alta, o mercado financeiro global em alerta e as baixas civis aumentando, a comunidade internacional observa atentamente os próximos passos de Washington e Teerã. A data de 6 de abril, mencionada pela Casa Branca como um prazo, adiciona um elemento de urgência a um cenário onde a linha entre a diplomacia e a guerra total permanece perigosamente tênue .

Com informações de ABC News, The New York Times, CNN, Reuters, The Guardian, Associated Press, Bloomberg News, Financial Times, The Spokesman-Review ■

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