Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O cenário dos presos políticos na Venezuela, marcado por anos de denúncias de detenções arbitrárias, tornou-se terreno fértil para a ação de organizações não governamentais (ONGs) que, segundo acusações recentes, extorquiram familiares dos detentos por anos. Essas entidades prometiam, em troca de pagamentos, a inclusão de seus entes queridos em listas de libertação ou uma gestão mais eficaz de seus casos, explorando a dor e o desespero de centenas de famílias.
As acusações foram feitas publicamente por Diosdado Cabello, alto dirigente do partido governista PSUV, que se referiu a algumas ONGs como "centros de extorsão e de chantagem" que cobram dos familiares. Ele alertou as famílias para não caírem neste esquema, afirmando que as decisões de libertação são unilaterais do governo e que tais listas "não existem".
Este contexto de suposta extorsão surge em um momento complexo para os direitos humanos no país. Após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro de 2026, o governo interino anunciou um processo de excarcerações que tem sido alvo de críticas por sua opacidade e lentidão. Enquanto o governo fala em mais de 800 libertações, organizações da sociedade civil contabilizam números muito menores e denunciam condições degradantes dos presos.
As principais características e denúncias envolvendo o processo de excarcerações e as acusações contra ONGs incluem:
O perfil das vítimas deste sistema é claro: em grande parte, são mulheres. São mães, esposas e filhas que não só arcam com o sustento da família na ausência do detento, mas também enfrentam filas intermináveis, requisas humillantes e a angústia da incerteza. Para a jornalista Kaoru Yonekura, que investigou o tema, "toda a família fica presa de alguma maneira". Essa vulnerabilidade as torna alvos mais fáceis para esquemas de extorsão.
O panorama geral dos presos políticos no país continua sendo alarmante. Diferentes organizações estimam que, mesmo após as excarcerações, centenas de pessoas permanecem detidas por motivos políticos. O Foro Penal contabilizava 777 casos em janeiro de 2026, enquanto a ONG Justiça, Encontro e Perdão (JEP) falava em 1.041 presos políticos. O governo, por sua vez, nega sistematicamente a existência de presos políticos, afirmando que todos os detidos cometeram crimes comuns.
As acusações de extorsão por parte de ONGs criam um duplo sofrimento para as famílias: além de lidar com a perseguição estatal, precisam navegar em um terreno onde nem todos os que se oferecem para ajudar têm reais intenções. Enquanto isso, a comunidade internacional e as organizações de direitos humanos legítimas seguem exigindo a libertação total e incondicional de todos os presos políticos, reparação para as vítimas e o fim da criminalização da dissidência na Venezuela.
Com informações de: Efecto Cocuyo, Foro Penal, La República, Swissinfo.ch, BBC ■