Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Delcy Rodríguez desafia Washington: "chega de ordens" sobre a Venezuela
A presidente interina, em discurso a trabalhadores petrolíferos, defende a soberania e anuncia "diplomacia bolivariana" para tratar com os EUA, enquanto equilibra pressões internas e externas
America do Sul
Foto: https://p2.trrsf.com/image/fget/cf/500/0/images.terra.com/2026/01/26/delcy_rodriguez_venezuela-1hux7zjdck869.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 26/01/2026

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou publicamente neste domingo (25) que já teve o "suficiente" das ordens de Washington, marcando um tom de desafio em direção aos Estados Unidos. As declarações foram feitas durante um discurso para trabalhadores da refinaria de Puerto La Cruz, no estado petrolífero de Anzoátegui, e transmitido pela televisão estatal.

Rodríguez, que assumiu o cargo após a captura e remoção do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos EUA no início de janeiro, afirmou: "Chega de ordens de Washington sobre a política venezuelana. Que a política venezuelana resolva nossas diferenças e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras". Ela acrescentou que a República "pagou um preço muito alto por ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo em nosso país".

Apesar do tom firme, a presidente interina buscou diferenciar confrontação de diálogo. Ela afirmou que seu governo resolverá as controvérsias históricas com os Estados Unidos "cara a cara", através do que chamou de "diplomacia bolivariana", e enfatizou: "Não temos medo". Paralelamente, fez um apelo por unidade nacional e diálogo interno, pedindo que os venezuelanos resolvam suas diferenças sem interferência estrangeira.

Este posicionamento ocorre em um contexto de forte pressão contínua da administração do presidente dos EUA, Donald Trump. Relatórios indicam que, após a captura de Maduro, o governo dos EUA apresentou uma série de exigências a Caracas, incluindo:

  • Cortar relações com países como China, Irã, Rússia e Cuba.
  • Aceitar uma parceria exclusiva com os Estados Unidos para a produção de petróleo.
  • Priorizar a administração Trump e empresas petrolíferas americanas nas vendas futuras de petróleo.

Rodríguez caminha sobre uma corda bamba política. De um lado, ela recebeu o respaldo dos EUA para liderar interinamente o país. De outro, precisa manter a lealdade dos seguidores de Maduro em casa enquanto tenta atender a expectativas de Washington para estabilizar o país, cuja principal riqueza são as maiores reservas mundiais de petróleo extrapesado. Internamente, a Venezuela permanece dividida entre:

  • Leais a Nicolás Maduro.
  • A oposição de esquerda.
  • Os "chavistas não-maduristas" (apoiadores do falecido Hugo Chávez que rejeitam Maduro).

O discurso de Rodríguez ecoa um mal-estar geopolítico mais amplo com a postura dos EUA. Apenas na semana passada, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, líderes como o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente francês Emmanuel Macron criticaram a ruptura da ordem internacional e ações que classificaram como "imperialistas", em referências indiretas claras à política externa de Donald Trump.

O resultado deste atrito ainda é incerto. Apesar das duras palavras, Rodríguez não buscou uma ruptura completa e continua sancionada pelos Estados Unidos. A comunidade internacional observa se este episódio levará a uma negociação redefinida ou a um aumento da pressão sobre o governo interino da Venezuela.

Com informações de: CNN, Times of India, La Razón, Indian Express, Mathrubhumi, WISHTV, Notícias do Planalto ■

Mais Notícias