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Haddad diz que caso Banco Master foi "a maior fraude bancária da história do país"
Em suas declarações mais contundentes sobre o caso, o ministro da Fazenda classificou as investigações em curso como um possível marco de ilegalidade no sistema financeiro nacional e reforçou o apoio integral do governo ao Banco Central
Politica
Foto: https://assets.brasildefato.com.br/2026/01/coletiva-lula-mc_abr_18122025-11.jpg
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■   Bernardo Cahue, 13/01/2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que o caso envolvendo a liquidação do Banco Master pode configurar "a maior fraude bancária da história do país". Ao chegar ao ministério, Haddad disse que o assunto "inspira muito cuidado" e que é necessário tomar todas as cautelas, garantindo o direito à defesa, mas sendo firme na proteção do interesse público.

O ministro reforçou seu apoio à atuação do Banco Central (BC), órgão que decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025. Ele declarou conversar quase diariamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e dar "todo o respaldo institucional da Fazenda" à autoridade monetária. "Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram", disse Haddad, classificando a atuação como "tecnicamente muito robusta".

O Envolvimento do TCU e um Acordo para a Inspeção

Haddad também comentou a recente tensão entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU havia determinado uma inspeção para apurar o processo de liquidação do Master, o que gerou receio de interferência em uma decisão técnica. O ministro revelou que conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e que, após uma reunião entre as partes, houve uma convergência de entendimentos.

Como resultado, o Banco Central retirou os recursos que havia apresentado contra a inspeção. O entendimento permite que o TCU exerça sua fiscalização, mas sem invadir a competência exclusiva do BC para conduzir a liquidação e com salvaguardas para não comprometer o processo. Haddad avaliou que "as coisas vão caminhar para o lado certo".

A Conexão com o Interesse Público e o FGC

Um dos pontos centrais destacados pelo ministro para justificar a gravidade do caso foi o impacto nos cofres públicos. Haddad lembrou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir os investidores do Master no limite de R$ 250 mil, é capitalizado por todo o sistema financeiro, incluindo bancos públicos.

  • Bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal respondem por cerca de um terço dos recursos do fundo.
  • O FGC deve honrar um volume estimado em R$ 41 bilhões em dívidas do Master, o que configura a maior operação do tipo na história do fundo.

"É um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos", afirmou Haddad. Ele também citou uma conexão que está sendo apurada entre o caso Master e a Reag Investimentos, uma gestora investigada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

O que é o Banco Master e o Esquema Investigado

O Banco Master era uma instituição de médio porte que adotou uma estratégia de crescimento agressivo, captando recursos ao oferecer rendimentos muito acima do mercado (em alguns casos, até 180% do CDI) e aplicando em ativos de alto risco. O banco foi liquidado após o BC identificar uma grave crise de liquidez e violações às normas.

  1. Operação Compliance Zero: A liquidação veio junto com uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraude de R$ 12 bilhões na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).
  2. Prisão e Soltura: O controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente, mas depois liberado com tornozeleira eletrônica.
  3. Ramo no STF: O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes foram alvo de questionamentos por suas relações indiretas com as partes, embora a PGR tenha arquivado representações contra Moraes.

Especialista Alerta para Riscos Sistêmicos

O caso tem levantado debates sobre a estabilidade do sistema. Cleveland Prates Teixeira, economista e especialista em regulação, avalia que qualquer tentativa de reverter a liquidação seria como "pegar uma célula cancerígena e colocar de novo no corpo", podendo gerar uma desconfiança generalizada. Ele também vê risco na interferência de cortes de contas em decisões técnicas de reguladores, o que poderia criar um incentivo perverso para que gestores assumam riscos excessivos no futuro, na expectativa de brechas políticas ou judiciais.

Com informações de Agência Brasil, O Globo, UOL Economia, G1, Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, BBC News Brasil, CNN Brasil, Correio do Amanhã, Portal do Cooperativismo de Crédito ■

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