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A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que no último sábado (3/1) resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e em dezenas de mortes, deu início a uma transformação radical na política e na economia do país. Nos dias seguintes, o governo de Donald Trump detalhou um plano que vai muito além de uma mudança de regime: os EUA assumirão o controle direto sobre a comercialização do petróleo venezuelano por tempo "indeterminado" e determinam que a receita obtida seja usada pela Venezuela apenas para comprar produtos manufaturados nos Estados Unidos. Este acordo, negociado com o governo interino de Delcy Rodríguez, representa uma reconfiguração profunda das relações bilaterais e um passo ousado na estratégia de Washington para a região e para o mercado global de energia.
A ação das forças especiais americanas em Caracas não apenas removeu Maduro do poder, como estabeleceu uma nova correlação de forças. O ataque, descrito por autoridades venezuelanas, deixou pelo menos 100 mortos e um número semelhante de feridos, incluindo a esposa de Maduro, Cilia Flores. Com Maduro preso e levado para os EUA para enfrentar acusações de narcotráfico, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como líder interina. Rodríguez, que também está sob sanções americanas, reconheceu que o ataque deixou "uma mancha" histórica nas relações entre os países, mas defendeu a normalidade das relações comerciais com Washington. Para o secretário de Estado Marco Rubio, o plano dos EUA se divide em três fases claras: estabilização, recuperação e transição política.
O cerne do novo entendimento é o controle norte-americano sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Os principais pontos do acordo são:
Um dos elementos mais incomuns do acordo é a condição imposta por Washington sobre o uso da receita. Em uma publicação na rede Truth Social, o presidente Trump anunciou que foi "informado de que a Venezuela vai comprar APENAS Produtos Fabricados nos EUA" com o dinheiro do petróleo. Segundo ele, as compras incluirão:
Trump descreveu o acordo como "uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos". O vice-presidente JD Vance foi mais direto ao explicar a lógica: "Controlamos os recursos energéticos, e dizemos ao regime: você tem permissão para vender o petróleo contanto que sirva ao interesse nacional da América".
Este movimento faz parte de uma estratégia mais ampla. Especialistas apontam que, ao controlar o petróleo venezuelano, os EUA buscam:
O plano tem gerado reações intensas. Nos EUA, o senador democrata Chris Murphy chamou a estratégia de "insana" e acusou a administração Trump de "propor roubar o petróleo da Venezuela à força para sempre". Do lado venezuelano, a PDVSA emitiu um comunicado afirmando que as negociações com os EUA seguem termos comerciais semelhantes aos vigentes com parceiros como a Chevron, buscando passar uma imagem de normalidade. A Rússia, cujo navio foi apreendido, acusou Washington de violar o direito marítimo internacional.
As consequências deste acordo forjam um novo capítulo para a Venezuela e a região:
O tempo dirá se essa "troca" forçada trará a estabilidade prometida ou aprofundará as tensões em um país já profundamente ferido, enquanto os EUA consolidam seu domínio sobre uma das chaves energéticas do planeta.
Com informações de: BBC, G1, The Guardian, Euronews, Politico, Público, Deutsche Welle (DW)■