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Em resposta à captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela ordenou, no sábado (3), que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a presidência da República. A decisão tem como objetivo garantir a "continuidade administrativa e a defesa integral da Nação" diante da ausência forçada do mandatário. O tribunal interpretou a ausência como temporária, estabelecendo que Rodríguez exercerá as funções por um período de até 90 dias, prorrogável por mais três meses pelo Parlamento.
A medida judicial ocorre em um cenário de extrema tensão, horas após uma operação militar norte-americana de grande escala em Caracas e outros pontos do país, que resultou na detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Os dois foram levados para Nova York, onde enfrentam acusações federais por narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Enquanto a ordem do TSJ busca estabilizar a sucessão de poder internamente, as declarações dos envolvidos pintam quadros radicalmente opostos:
A captura de Maduro, batizada de "Operação Firmeza Absoluta" pelos EUA, é o ápice de meses de escalada nas tensões. De acordo com o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto americano, a ação envolveu mais de 150 aeronaves e desmantelou sistemas de defesa aérea venezuelanos. Um helicóptero americano teria sido atingido, mas todas as aeronaves retornaram à base.
Os antecedentes incluem:
A ação americana e a declaração de Trump sobre governar a Venezuela geram sérias questões de legalidade internacional. Especialistas argumentam que a captura de um chefe de Estado em seu território, sem consentimento ou mandado do Conselho de Segurança da ONU, configura uma violação da Carta das Nações Unidas. Rebecca Ingber, ex-advogada do Departamento de Estado dos EUA, afirmou que a pretensão de governar o país "soa como uma ocupação ilegal".
As reações globais foram divididas:
O cenário imediato permanece altamente instável e indefinido. Analistas apontam que a operação representa um divisor de águas na política externa americana e um marco na erosão do multilateralismo no pós-Guerra. Internamente, o regime chavista tenta manter a coesão, com Rodríguez reunindo ministros e a cúpula militar em um conselho de defesa.
As ambições de Trump, no entanto, vão além da mudança de regime. Ele vinculou explicitamente a intervenção aos recursos petrolíferos venezuelanos, prometendo que empresas americanas investiriam "milhares de milhões" para reconstruir a infraestrutura do setor. Esta crise, iniciada com uma ordem da Suprema Corte venezuelana, abre assim um novo e imprevisível capítulo nas relações interamericanas, com profundas consequências para a estabilidade regional.
Com informações de: G1, O Globo, BBC, CNN Brasil, CNN Español, UOL, Estadão, Infobae ■