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As forças militares dos Estados Unidos realizaram um novo ataque a uma embarcação no Caribe, resultando na morte de quatro pessoas identificadas como supostos "narcoterroristas". O ataque, autorizado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, faz parte da Operação Southern Spear, uma campanha que, desde setembro, já realizou ao menos 26 ataques similares e matou no mínimo 99 pessoas em águas do Caribe e do Pacífico Oriental.
O Comando Sul dos EUA divulgou um vídeo mostrando a explosão e destruição do barco, alegando que a embarcação, em águas internacionais, era operada por uma "Organização Terrorista Designada" e trafegava por uma rota conhecida de narcotráfico. No entanto, nenhuma evidência pública sobre a carga de drogas foi apresentada.
A campanha de ataques começou em 1º de setembro de 2025, marcando o primeiro ataque aéreo público dos EUA na região desde a invasão do Panamá em 1989. O presidente Donald Trump justifica as ações como uma escalada necessária para deter o fluxo de drogas para os Estados Unidos, declarando que o país está em um "conflito armado" com os cartéis de drogas.
O cenário militar na região se intensificou significativamente:
A campanha enfrenta críticas ferozes e investigações no Congresso dos EUA, principalmente devido a um incidente específico ocorrido em 2 de setembro. Segundo reportagens, após um primeiro ataque a um barco venezuelano, dois sobreviventes foram mortos em um segundo bombardeio.
O Washington Post noticiou que o secretário de Defesa Pete Hegseth teria dado uma ordem verbal para "matar todos". Hegseth e a Casa Branca negaram veementemente a existência dessa ordem específica. No entanto, a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a autorização para o segundo ataque, defendendo sua legalidade.
Novos detalhes agravaram a controvérsia. Parlamentares que viram o vídeo classificado relatam que os dois sobreviventes estavam sobre o casco virado do barco e acenavam antes de serem atingidos. Especialistas em direito internacional argumentam que atacar náufragos ou pessoas rendidas é expressamente proibido pelas Convenções de Genebra, mesmo em um conflito armado.
A campanha militar aprofundou as tensões entre os EUA e a Venezuela. O presidente Nicolás Maduro acusa Washington de usar o combate às drogas como pretexto para tentar derrubá-lo do poder e se apoderar das reservas de petróleo do país. A Venezuela, assim como a Colômbia, classifica os ataques como execuções extrajudiciais.
A escalada militar americana é vista como uma violação à declaração da Zona de Paz firmada pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) em 2014. Líderes regionais se manifestaram contra os ataques:
O governo Trump enfrenta pressão crescente dentro de seu próprio país. Comitês do Congresso, tanto da Câmara quanto do Senado, prometeram uma "investigação rigorosa" sobre os ataques, especialmente o de 2 de setembro. Legisladores de ambos os partidos questionam a base legal para toda a campanha, que prossegue sem uma autorização formal de guerra do Congresso.
Enquanto isso, a administração Trump sinaliza que a campanha deve continuar e até se expandir. Com um grande poderio militar já posicionado na região e ameaças de incluir alvos terrestres, a crise no Caribe parece longe de uma resolução.
Com informações de: PBS NewsHour, BBC, O Globo, The Guardian, Euronews, Wikipedia, NPR, Al Jazeera, Agência Brasil, The New York Times ■