Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
A primeira semana da COP30 em Belém, no Pará, foi marcada por protestos de povos indígenas que resultaram no bloqueio da entrada principal do centro de convenções e em confrontos com a segurança. Os atos aumentaram a tensão entre as demandas dos povos originários e as negociações climáticas oficiais.
Na tarde de terça-feira (11/11), dezenas de manifestantes, em sua maioria indígenas, tentaram ingressar à força na Zona Azul da conferência, área administrada pela ONU onde ocorrem as negociações oficiais. De acordo com relatos e testemunhas, o incidente resultou em:
Um porta-voz da ONU para Mudanças Climáticas afirmou que as equipes de segurança "seguiram todos os protocolos estabelecidos" e que "o local está totalmente seguro, e as negociações da conferência continuam normalmente".
Na manhã de sexta-feira (14/11), um novo protesto, desta vez pacífico, foi liderado pelo povo Munduruku, articulado pelo Movimento Ipereg Ayu. Cerca de 60 indígenas bloquearam a entrada principal da Zona Azul, exigindo uma reunião urgente com o presidente Lula.
As principais reivindicações dos Munduruku são:
Devido ao bloqueio, os participantes da COP30 foram orientados a usar uma entrada lateral. O protesto foi encerrado após os manifestantes serem recebidos para uma reunião com o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a diretora-executiva da conferência, Ana Toni, e as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
Os protestos ocorrem em um cenário de participação indígena sem precedentes na história das COPs. O governo brasileiro estima a presença de cerca de três mil integrantes de povos originários em Belém, sendo mil deles com acesso às negociações oficiais na Zona Azul. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) contabiliza mais de 4.000 indígenas presentes.
Essa participação massiva tem um objetivo claro: colocar a demarcação de terras indígenas no centro da agenda climática. Os povos originários argumentam que seus territórios são os mais preservados do país e funcionam como essenciais sumidouros de carbono, making a proteção territorial uma das medidas mais eficazes para combater as mudanças climáticas.
Além da demarcação, o movimento indígena na COP30 também se opõe a projetos de crédito de carbono e mecanismos de REDD+ que, de acordo com sua visão, configuram uma "venda da floresta" e retiram a autonomia dos povos sobre seus territórios.
Enquanto a conferência segue até 21 de novembro, os protestos indígenas deixam claro que qualquer acordo climático ambicioso precisará, necessariamente, incluir e respeitar os direitos e conhecimentos dos povos originários.
Com informações de DW, G1, France24, Folha de S.Paulo, Animal Politico, APIB, Swissinfo■