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Os líderes dos 27 países da União Europeia e das 33 nações da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) encontram-se em Santa Marta, Colômbia, nos dias 9 e 10 de novembro de 2025, para a IV Cúpula CELAC-UE. O evento, co-presidido pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, marca um esforço para "reafirmar o compromisso com o multilateralismo" e fortalecer a parceria birregional.
O encontro ocorre em um contexto de tensões diplomáticas. Dias antes da cúpula, o presidente Petro acusou publicamente os Estados Unidos de exercer "fortes pressões sobre os países do Caribe para que não compareçam à cúpula em Santa Marta", caracterizando a ação como um boicote diplomático destinado a minar a redefinição das relações comerciais e geopolíticas da região com a Europa.
A posição de América Latina e Caribe como uma Zona de Paz foi um princípio reafirmado durante as discussões. Esta visão foi historicamente defendida por países como Cuba e, mais recentemente, pelo Brasil sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O retorno do Brasil à CELAC em 2023, após um período de afastamento, foi um gesto significativo, saudado por Cuba como um passo essencial para "consolidar a unidade na diversidade" e fortalecer a integração regional.
Nesta mesma linha, a CELAC tem mantido uma postura firme de rejeição a medidas unilaterais contra nações do bloco. Em sua VII Cúpula, realizada em Buenos Aires, a comunidade aprovou por unanimidade uma declaração expressando um "sonoro não ao bloqueio dos EUA contra Cuba" e solicitando a exclusão da ilha da lista unilateral de países supostamente patrocinadores do terrorismo.
Um dos momentos de maior tensão política da cúpula foi protagonizado pelo chanceler venezuelano, Yvan Gil, que denunciou a militarização do Caribe por parte dos Estados Unidos. Durante sua intervenção, Gil afirmou que Washington possui "4.200 tropas treinadas... prontas e preparadas para invadir" o território venezuelano, e detalhou a presença de oito navios de guerra e um submarino nuclear nas proximidades de suas costas.
O governo venezuelano rejeitou a justificativa estadunidense de que o avanço militar tem como objetivo o combate ao narcotráfico, qualificando-a como uma "narrativa completamente falsa" e uma desculpa para uma "invasão disfarçada". O chanceler alertou que qualquer conflito bélico contra a Venezuela "significaria uma completa desestabilização de toda a região".
Apesar das controvérsias, a cúpula avançou em uma agenda positiva. Os líderes buscaram:
A escolha de Santa Marta como sede do evento carrega um profundo simbolismo: em 2025, a cidade comemora os 500 anos de sua fundação, sendo a "primeira cidade fundada no continente americano" e, portanto, um ponto de reencontro entre civilizações.
Com informações de: Colombia One, European Investment Bank, EU-LAC Foundation, Venezuela Analysis, Prensa Latina. ■