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Fim de acordo em terras raras expõe vulnerabilidade dos EUA em tecnologia e defesa
Interrupção do fornecimento chinês ameaça produção militar e avanços em inteligência artificial, revelando estoques estratégicos insuficientes e corrida por alternativas geopolíticas
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 29/07/2025

O encerramento do contrato de venda de minérios de terras raras entre China e Estados Unidos, anunciado nesta semana, acende um alerta estratégico em Washington. A medida agrava a já crítica dependência norte-americana desses insumos, essenciais para setores que vão de inteligência artificial ao arsenal militar. A China, responsável por 70% da oferta global, consolidou as restrições como resposta às tarifas impostas pelo governo Trump em abril, paralisando cadeias produtivas dos EUA.

Segundo análises de segurança nacional, as terras raras – grupo de 17 elementos como neodímio e ítrio – são componentes vitais em mísseis Tomahawk, drones de combate, supercomputadores de defesa e sistemas de navegação de precisão. A interrupção do fluxo pode comprometer projetos como o supercomputador El Capitan, responsável por simulações nucleares, e atrasar a produção de submarinos da classe Columbia. A Força Aérea e a Marinha norte-americanas dependem desses minerais para manter vantagem tecnológica.

Na corrida pela supremacia em IA, a crise é igualmente severa. Os data centers de hiperescala, como o "The Citadel Campus" em Nevada, consomem quantidades maciças de terras raras para fabricação de servidores, sistemas magnéticos e resfriamento. Um único centro de processamento requer até 350 vezes o peso final de seus equipamentos em matérias-primas minerais. Com a China controlando etapas críticas de extração e refino, empresas como Google e Microsoft enfrentam gargalos para expandir infraestrutura de inteligência artificial, setor que já consome 4% da eletricidade dos EUA.

Especialistas apontam que o país tem apenas 40 a 60 dias de estoques para manter a produção industrial. Alternativas emergenciais incluem reprocessamento de resíduos eletrônicos e acordos com aliados. Em junho, o governo Trump pressionou a Ucrânia a conceder acesso preferencial a jazidas de minerais críticos, ameaçando retirar apoio militar contra a Rússia. Parcerias com Canadá e Austrália também avançam, mas a capacidade de refino pesado ainda é incipiente fora da China.

Embora os EUA tenham investido US$ 439 milhões em projetos domésticos desde 2020, como a mina MP Materials na Califórnia, a meta de autossuficiência até 2027 parece inalcançável. A única fábrica norte-americana de ímãs de terras raras, essenciais para jatos F-35, produzirá 1.000 toneladas anuais em 2027 – apenas 0,3% do volume atual da China. O desequilíbrio reflete três décadas de desindustrialização estratégica, onde a produção mineral foi terceirizada para Pequim.

A crise das terras raras evidencia que a guerra tecnológica entre EUA e China se desdobra no subsolo. Enquanto Pequim usa o controle mineral como arma geopolítica, Washington corre para reativar uma indústria que enterrou na era pós-Guerra Fria. O prazo para reverter a dependência, segundo analistas, é de 10 a 15 anos – tempo que o Pentágono e a indústria de IA não têm.

Com informações de: The Washington Post, The Conversation, Terra, American Security Project, Click Petróleo e Gás, Guia Região dos Lagos

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