Reflexões sobre Defesas PolÃticas, Democracia e a Linha Tênue da Justiça
Editorial
Foto: https://assets.vpm.org/dims4/default/b4bd59b/2147483647/strip/true/crop/3733x2299+0+250/resize/880x542!/quality/90/?url=https%3A%2F%2Fmedia.npr.org%2Fassets%2Fimg%2F2023%2F07%2F18%2Fap23199498527107-2e2f1905d82eb37aac218d07e08fb99bf801ea54.jpg
■ Bernardo Cahue, 07/07/2025
Escrevo para abordar suas recentes declarações em defesa de Jair Bolsonaro, atualmente investigado por graves acusações que incluem: tentativa de golpe de Estado, conspiração para subverter a democracia, tentativa de reverter resultados eleitorais, espionagem ilegal contra opositores, criação de uma máquina de desinformação estatal e suposta participação em planos de assassinato contra figuras públicas (incluindo Lula, Alckmin, Alexandre de Moraes e José Dirceu).
Como alguém que também enfrenta processos judiciais nos EUA por ações pós-eleição, suas palavras ecoam uma familiaridade inquietante. Você mesmo liderou um movimento que culminou no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, evento que:
Objetivo comum: Ambos buscavam invalidar resultados eleitorais.
Métodos: Mobilização de seguidores, discursos inflamatórios e negação da realidade factual.
Desfecho: Violência contra sÃmbolos democráticos.
No Brasil, em 8 de janeiro de 2023, vimos um espelho sombrio: sedes dos Três Poderes invadidas por apoiadores de Bolsonaro, incitados por teorias de fraude eleitoral infundadas. Se em 6/1 você desafiou a transição pacÃfica nos EUA, em 8/1 Bolsonaro colheu os frutos do mesmo discurso no Brasil.
Pergunta que não cala:
Ao defender um aliado acusado de planejar assassinatos, espionar cidadãos e minar a democracia, você também estenderia essa solidariedade a:
Pablo Escobar (Colômbia), argumentando que seu narcoterrorismo era "luta polÃtica"?
Osama Bin Laden (Afeganistão), sob alegação de que seus atos eram "resistência"?
Thomas Matthew Crooks (que tentou assassinar você em 13/7/2024), sob o pretexto de que "tinha motivações compreensÃveis"?
A pergunta não é retórica, mas um convite à coerência. Se condenamos violência e conspirações quando partem de inimigos, como justificá-las quando surgem de aliados? Defender Bolsonaro sob o manto da "perseguição polÃtica" é normalizar crimes que destruiriam qualquer democracia se viessem daqueles que rejeitamos.
A História julgará não apenas os atos de Bolsonaro, mas também os que, diante de evidências avassaladoras, escolheram o silêncio ou a cumplicidade. A democracia sobrevive quando lÃderes respeitam suas regras — não quando as distorcem para proteger os seus.
Atenciosamente,
Bernardo Cahuê
Somente um Cidadão comprometido com o Estado de Direito.■