Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O preço do barril do petróleo Brent, referência global, rompeu a barreira dos 100 dólares nesta quinta-feira (12 de março de 2026) após uma nova onda de ataques promovidos pelo Irã contra infraestruturas energéticas e rotas de navegação no Golfo Pérsico. A escalada do conflito no Oriente Médio, que já dura mais de duas semanas, acendeu um sinal de alerta nos mercados globais, que temem uma interrupção prolongada e severa no fornecimento de petróleo proveniente de uma das regiões mais estratégicas do planeta. O contrato do Brent para maio fechou em alta de 9,2%, cotado a US$ 100,46, o maior patamar desde 2022.
O clima de tensão se intensificou depois que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em seu primeiro discurso público, declarou que o bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo — "deve continuar a ser usado como alavanca". Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Khamenei afirmou que "outras frentes serão abertas" se a guerra persistir, sugerindo ataques a bases militares norte-americanas na região.
Resposta dos mercados e medidas de contenção
A reação das bolsas de valores foi imediata e negativa. O temor de que a disparada do petróleo reacenda uma inflação global fora de controle derrubou os principais índices acionários:
Para tentar conter a disparada dos preços e aliviar o aperto no suprimento, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) anunciou uma liberação coordenada e histórica de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência. Os Estados Unidos, isoladamente, também se comprometeram a disponibilizar 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Apesar do montante recorde, analistas consultados pelo mercado consideram a medida insuficiente diante da magnitude da crise, que a própria IEA classificou como "a maior perturbação no fornecimento da história do mercado global de petróleo".
Impactos econômicos e reações políticas
Os efeitos colaterais da crise já se espalham para outros ativos e economias:
No front político, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, usou sua rede social para afirmar que, embora os EUA sejam os maiores produtores de petróleo do mundo e se beneficiem da alta dos preços, sua principal prioridade é "impedir que o Irã obtenha armas nucleares". A declaração contrasta com a pressão política que o governo sofre para conter os danos econômicos do conflito e com os alertas do próprio mercado, que vê poucas chances de uma desescalada rápida.
Próximos passos
Analistas do Goldman Sachs revisaram suas projeções, elevando a previsão para o Brent no quarto trimestre para US$ 71 (ante US$ 66 anteriores), embora os preços atuais ainda estejam bem acima dessas estimativas de médio prazo. A atenção do mercado, no entanto, permanece fixa em Ormuz. Enquanto o Irã sinaliza disposição para uma "guerra de exaustão" e os EUA estudam oferecer escolta da marinha para embarcações comerciais no estreito, a volatilidade deve continuar sendo a única certeza para investidores e consumidores.
Com informações de Arirang News, i24 News, Investing.com, Vanguard News, Reuters, IEA, Goldman Sachs, Capital Economics■