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Petróleo dispara e ultrapassa US$ 100 o barril com escalada de ataques iranianos no Golfo
Nova investida contra instalações energéticas e ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz elevam temores de inflação e abalam mercados globais
Oriente-Medio
Foto: https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2026-03-04T121023Z_480702238_RC2HXJAESZWJ_RTRMADP_3_IRAN-CRISIS-EMIRATES.jpg?fit=1872%2C1248&quality=50&strip=all
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■   Bernardo Cahue, 13/03/2026

O preço do barril do petróleo Brent, referência global, rompeu a barreira dos 100 dólares nesta quinta-feira (12 de março de 2026) após uma nova onda de ataques promovidos pelo Irã contra infraestruturas energéticas e rotas de navegação no Golfo Pérsico. A escalada do conflito no Oriente Médio, que já dura mais de duas semanas, acendeu um sinal de alerta nos mercados globais, que temem uma interrupção prolongada e severa no fornecimento de petróleo proveniente de uma das regiões mais estratégicas do planeta. O contrato do Brent para maio fechou em alta de 9,2%, cotado a US$ 100,46, o maior patamar desde 2022.

O clima de tensão se intensificou depois que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em seu primeiro discurso público, declarou que o bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo — "deve continuar a ser usado como alavanca". Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Khamenei afirmou que "outras frentes serão abertas" se a guerra persistir, sugerindo ataques a bases militares norte-americanas na região.

Resposta dos mercados e medidas de contenção

A reação das bolsas de valores foi imediata e negativa. O temor de que a disparada do petróleo reacenda uma inflação global fora de controle derrubou os principais índices acionários:

  • Ásia: Nikkei (Japão) caiu 1,2%, Kospi (Coreia do Sul) recuou 1,2% e o Hang Seng (Hong Kong) operou em forte baixa.
  • EUA: Os futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq 100 registravam queda, refletindo o temor de um choque energético duradouro.

Para tentar conter a disparada dos preços e aliviar o aperto no suprimento, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) anunciou uma liberação coordenada e histórica de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência. Os Estados Unidos, isoladamente, também se comprometeram a disponibilizar 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Apesar do montante recorde, analistas consultados pelo mercado consideram a medida insuficiente diante da magnitude da crise, que a própria IEA classificou como "a maior perturbação no fornecimento da história do mercado global de petróleo".

Impactos econômicos e reações políticas

Os efeitos colaterais da crise já se espalham para outros ativos e economias:

  1. Inflação e juros: A disparada do petróleo reacendeu o fantasma da estagflação. O Deutsche Bank alertou para o risco crescente de uma desaceleração econômica combinada com inflação alta. As expectativas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026 diminuíram drasticamente, com projeções de redução de apenas 20 pontos-base no ano, contra 50 pontos-base previstos no mês passado.
  2. Dólar e Ouro: O índice do dólar atingiu o maior patamar desde novembro, fortalecendo-se como porto seguro, enquanto o ouro, apesar de também ser um ativo de refúgio, acumulou perdas devido à expectativa de juros altos por mais tempo nos EUA.
  3. Gás natural: Os preços do gás natural europeu avançaram 7,7%, em um novo sinal do contágio energético da crise.

No front político, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, usou sua rede social para afirmar que, embora os EUA sejam os maiores produtores de petróleo do mundo e se beneficiem da alta dos preços, sua principal prioridade é "impedir que o Irã obtenha armas nucleares". A declaração contrasta com a pressão política que o governo sofre para conter os danos econômicos do conflito e com os alertas do próprio mercado, que vê poucas chances de uma desescalada rápida.

Próximos passos

Analistas do Goldman Sachs revisaram suas projeções, elevando a previsão para o Brent no quarto trimestre para US$ 71 (ante US$ 66 anteriores), embora os preços atuais ainda estejam bem acima dessas estimativas de médio prazo. A atenção do mercado, no entanto, permanece fixa em Ormuz. Enquanto o Irã sinaliza disposição para uma "guerra de exaustão" e os EUA estudam oferecer escolta da marinha para embarcações comerciais no estreito, a volatilidade deve continuar sendo a única certeza para investidores e consumidores.

Com informações de Arirang News, i24 News, Investing.com, Vanguard News, Reuters, IEA, Goldman Sachs, Capital Economics■

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