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EUA liberam petróleo russo de sanções em meio à crise energética global
Medida emergencial de 30 dias permitirá venda de cargas retidas no mar para conter alta de preços após tensões no Oriente Médio
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 13/03/2026

Em uma medida emergencial para conter a disparada dos preços globais de energia desencadeada pelo conflito no Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos emitiu uma licença de 30 dias permitindo que países ao redor do mundo comprem petróleo e derivados russos atualmente retidos no mar. A decisão, anunciada pelo Departamento do Tesouro na quinta-feira (12), expande uma autorização anterior que beneficiava apenas a Índia e visa estabilizar mercados abalados pela interrupção no fluxo de petróleo do Irã.

Detalhes da Licença e o Contexto da Crise

A licença, que permanece válida até a meia-noite de 11 de abril, autoriza a entrega e venda de petróleo bruto e produtos petrolíferos de origem russa que foram carregados em navios até 12 de março. A medida ocorre em meio ao que a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou como a "maior interrupção no fornecimento de petróleo da história", após ataques e tensões no Oriente Médio paralisarem o transporte no Estreito de Ormuz.

Para compensar a crise, os EUA também anunciaram a liberação de 172 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo, como parte de um esforço coordenado de 32 países da AIE para colocar 400 milhões de barris no mercado. De acordo com estimativas, a medida em relação ao óleo russo pode colocar no mercado cerca de 100 a 124 milhões de barris de petróleo que estavam em trânsito, o equivalente a aproximadamente cinco a seis dias de suprimento global, considerando as perdas atuais.

Justificativa dos EUA e Reações Internacionais

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou a ação como uma resposta à instabilidade, afirmando que a medida é "estreitamente adaptada e de curto prazo" e não beneficiará significativamente o governo russo, que obtém a maior parte de sua receita de energia por meio de impostos no ponto de extração. Bessent declarou que o aumento temporário nos preços é uma "perturbação de curto prazo" que resultará em benefício para a economia americana no longo prazo.

A decisão, no entanto, gerou reações negativas entre aliados ocidentais e críticas no front doméstico:

  • Alemanha: O chanceler alemão Friedrich Merz manifestou ceticismo, afirmando que "há atualmente um problema com os preços, mas não com o fornecimento", questionando os fatores que levaram à decisão americana.
  • União Europeia: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que "não é hora de relaxar as sanções contra a Rússia".
  • Reino Unido: O governo britânico afirmou que não flexibilizará suas sanções contra a Rússia, classificando o momento como "crítico na agressão russa contra a Ucrânia".
  • Senado dos EUA: Senadores democratas criticaram a medida, afirmando que ela dá um impulso financeiro significativo à Rússia para continuar sua guerra na Ucrânia.
Impacto nos Mercados e Próximos Passos

Após o anúncio, os preços do petróleo apresentaram ligeira queda nas negociações na Ásia, mas ainda assim caminhavam para um ganho semanal significativo. O Brent era negociado em torno de US$ 100 por barril. Analistas apontam que, embora a medida traga alívio temporário, ela não resolve o déficit estrutural caso a crise no Estreito de Ormuz se prolongue.

Além da liberação do petróleo russo, a administração Trump considera medidas adicionais para conter os preços, incluindo:

  1. A suspensão temporária da Lei Jones (Jones Act), permitindo que navios estrangeiros transportem combustível entre portos americanos para reduzir custos.
  2. O fornecimento de seguro de risco político e garantias financeiras para o comércio marítimo no Golfo, com possível escolta da Marinha americana na região.

Especialistas consultados pelo The New York Times alertam que esta pode ser a ruína efetiva das sanções ao petróleo russo, com temores de que a isenção possa ser estendida indefinidamente, dada a dependência do mercado e a fragilidade do cenário geopolítico.

Com informações de: CBC News, The New York Times, Euronews, The Business Times■

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