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A mais recente ofensiva política e midiática contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes repousa sobre um documento que, juridicamente, pode não passar de uma folha em branco. Trata-se de um contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci & Barci, pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
A revelação, feita em dezembro de 2025 pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, causou imediato furor político. No entanto, uma análise mais aprofundada dos fatos, trazida à tona pelo jornalista Eduardo Guimarães e amplamente discutida nos meios políticos, revela um detalhe que altera substancialmente a narrativa: o contrato não está assinado por Viviane Barci. O que existe, até o momento, é apenas uma cópia de um arquivo — um rascunho — armazenada no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal.
A fragilidade documental contrasta com a contundência do ataque político. A situação evoca, em escala e contexto diferentes, o debate sobre o uso de provas no processo que levou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão em 2018. Na ocasião, a defesa de Lula e juristas apontavam que as condenações no âmbito da Lava Jato se baseavam em "conjuntos de provas" que, embora existentes nos autos, seriam frágeis e derivadas de delações sem confirmação como, semelhantemente, o contrato não-assinado nem registrado da compra do triplex no Guarujá. Na visão de críticos, o que se vê agora é uma repetição de um roteiro: a utilização de indícios não formalizados para desgastar um membro da Corte Suprema, em vez de uma investigação técnica e imparcial.
Enquanto a oposição e setores da imprensa tratam o documento como prova de uma relação espúria, o ministro Alexandre de Moraes nega ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro e classifica as acusações como "ilação mentirosa". Simultaneamente, a defesa do banqueiro recorre ao STF para investigar a origem dos vazamentos, argumentando que informações sigilosas — incluindo "supostos diálogos" com autoridades — estão sendo divulgadas para "atrapalhar os trabalhos de esclarecimento dos fatos".
Diante da falta de assinatura e registro, a narrativa do escândalo perde seu pilar documental. Resta saber se o STF, que já investiga a compra e venda de dados sigilosos de seus ministros , conseguirá também identificar a origem desse vazamento específico e esclarecer se o rascunho não assinado é, de fato, uma prova de irregularidade ou mais um capítulo na guerra de informações que antecede o pleito de outubro.
Com informações de Agência Brasil, Brasil 247, CNN Brasil, G1, O Globo, Valor Econômico, Veja ■