Em meio à escalada militar sem precedentes no Oriente Médio, o Emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, recebeu um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de conter a crise desencadeada pelos maciços ataques coordenados contra o Irã
A conversa, ocorrida neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, focou estritamente nos "últimos desenvolvimentos de segurança na região" e suas repercussões para a paz e a estabilidade, conforme comunicado oficial do Amiri Diwan, o gabinete do emir.
Fontes oficiais confirmaram que o líder catari enfatizou a "necessidade de resolver essa perigosa escalada por meios pacíficos", alinhando-se a um coro crescente por desescalada que inclui Omã e Arábia Saudita. A ligação acontece horas depois de os EUA e Israel lançarem a operação batizada de "Fúria Épica", que visou a alta cúpula iraniana, incluindo a residência do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, em Teerã.
De acordo com a agência de notícias AFP, o posicionamento do Catar reflete a preocupação dos aliados dos EUA no Golfo com um possível alastramento do conflito. Em um comunicado conjunto, o Emir do Catar e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já haviam destacado a "necessidade de pôr fim de imediato a qualquer ação que conduza a uma escalada e de voltar à mesa de diálogo".
Contexto da Crise:
- Ataques coordenados: Os ataques de 28 de fevereiro representam a maior ação militar conjunta EUA-Israel contra o Irã em décadas. O presidente Trump classificou a operação como "ações de combate importantes" e fez um apelo direto à população iraniana para que derrube o governo, sugerindo uma estratégia de mudança de regime.
- Baixas e retaliação: Fontes israelenses afirmam que o ataque matou o Aiatolá Khamenei, embora o governo iraniano insista que ele e o presidente Masoud Pezeshkian estão vivos e seguros. Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã lançou mísseis de longo alcance contra bases americanas no Golfo, incluindo alvos no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, que afirmam ter repelido os ataques.
- Posição dos EUA: A Casa Branca justifica a ação como necessária para "eliminar ameaças iminentes" e culpa o Irã por décadas de desestabilização. Um comunicado oficial reiterou que o presidente Trump está "responsabilizando o Irã por sua busca por capacidades nucleares, apoio ao terrorismo e desenvolvimento de mísseis balísticos".
- Reação internacional: Omã, que atuou como mediador nas negociações recentes, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para impor um cessar-fogo imediato. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a legalidade da operação sem aprovação do Congresso já provoca um acalorado debate sobre poderes de guerra.
A comunidade internacional agora observa os próximos passos, com o Catar tentando se posicionar como um canal de diálogo para evitar uma guerra regional generalizada. A mediação catari é vista como crucial, dado seu histórico de negociações com atores ocidentais e grupos apoiados pelo Irã.
Com informações de Al Jazeera, Agência de Notícias do Catar (QNA), AFP, CNN, NBC News, The Conversation, Associated Press, White House ■