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Irã fecha o Estreito de Ormuz e petroleiros recebem ordem de proibição de passagem
Ameaça à navegação global e alta no preço do petróleo: Forças iranianas emitem aviso por rádio e Reino Unido confirma relatos de bloqueio na principal rota energética do mundo
Oriente-Medio
Foto: https://cdn-site.fazcomex.com.br/cms/2022/06/1654623578-estreito-de-ormuz.jpeg
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■   Bernardo Cahue, 28/02/2026

O Estreito de Ormuz, a passagem marítima mais estratégica e vital para o comércio global de energia, foi efetivamente fechado neste sábado (28 de fevereiro de 2026). Navios petroleiros que operavam na região receberam mensagens via rádio da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) ordenando a proibição imediata da travessia, conforme revelou a Al Jazeera. A informação foi posteriormente corroborada por agências marítimas internacionais e dados de rastreamento de embarcações, que mostram dezenas de navios parados ou revertendo suas rotas para evitar a área de conflito.

A tensão militar na região disparou após os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, desencadeando uma resposta imediata de Teerã. A Fars News, agência de notícias ligada ao IRGC, foi a primeira a noticiar o bloqueio, que agora é confirmado por múltiplas fontes no setor de transporte marítimo.

Reino Unido e EUA emitem alertas máximos
O UK Maritime Trade Operations (UKMTO), centro de comércio marítimo do Reino Unido, emitiu um comunicado alarmante confirmando a gravidade da situação. Segundo a agência, várias embarcações relataram ter interceptado transmissões no Canal de Rádio VHF 16 — frequência internacional de emergência — informando que o estreito estava fechado para navegação.

  • UKMTO declarou que recebeu "múltiplos relatos" sobre a proibição, embora não possa verificar independentemente a origem de todas as transmissões neste momento.
  • O governo dos EUA, por meio do Departamento de Transporte e da Administração Marítima, recomendou que todos os navios comerciais evitem a área do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz, Golfo de Omã e Mar da Arábia Norte, citando "atividade militar significativa".
  • A orientação americana é ainda mais específica para embarcações de bandeira ou tripulação dos EUA: "manter uma distância mínima de 30 milhas náuticas (56 km) de qualquer navio militar dos EUA" para não serem confundidas com ameaças.

Impacto imediato: navios param, viram e mercado de energia treme
O temor tomou conta do setor de navegação. Dados de rastreadores marítimos compilados pela Bloomberg mostram um cenário de congestionamento e paralisia nos dois lados do estreito.

  1. Navios param ou recuam: Petroleiros como o VLCC KHK Empress, que seguia para o Iraque, deu meia-volta e alterou sua rota para a Índia. Outros gigantes, como o Eagle Veracruz (com petróleo saudita) e o Front Beauly (com crude iraquiano e dos Emirados), estão imóveis na entrada oeste do estreito.
  2. GNL de Catar em risco: Pelo menos três navios-carregados de Gás Natural Liquefeito (GNL) com destino ou origem no Catar — o maior exportador mundial do gás — interromperam suas viagens. Especialistas da Kpler alertam que o número de embarcações paradas pode aumentar, impactando diretamente o fornecimento para Ásia e Europa.
  3. Resposta das empresas: A gigante japonesa Nippon Yusen KK ordenou que toda a sua frota evite a passagem. A Grécia, potência marítima, emitiu circular recomendando que seus navios reavaliem a navegação no local. Armadores já estudam acionar cláusulas de guerra para cancelar fretamentos.

O que diz o Irã e quais os próximos passos?
Até o momento, não houve uma confirmação oficial direta do governo iraniano sobre o bloqueio, mas a mensagem do IRGC captada pelos navios é clara: a passagem está "proibida para todos os navios". A Guarda Revolucionária, que controla as áreas estratégicas, já havia ameaçado no passado fechar o estreito como retaliação a qualquer ataque, e agora parece ter cumprido a promessa.

O Catar, por sua vez, anunciou a suspensão temporária da navegação marítima em suas águas territoriais, um reflexo do contágio da crise para além das linhas de combate direto.

Por que Ormuz é tão crucial?
A importância do Estreito de Ormuz não pode ser subestimada. Localizado entre Omã e Irã, ele conecta os maiores produtores de petróleo do mundo (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes) com os mercados globais.

  • Cerca de 20% de todo o petróleo e 25% do GNL mundial passam por suas águas diariamente.
  • Qualquer interrupção prolongada pode forçar os preços da energia a dispararem, alimentando pressões inflacionárias globais justamente em um momento de recuperação econômica instável.

Com informações de Al Jazeera, Caliber.Az (UKMTO), Bloomberg News, NDTV Profit, China Times, Sing Tao Headline ■

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