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O Conselho de Liderança Presidencial (PLC) do Iêmen, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, emitiu um decreto oficial na sexta-feira (6) anunciando a formação de um novo governo. O decreto confirma Shaya Mohsin al-Zindani como primeiro-ministro do país, cargo para o qual havia sido designado em janeiro, após a renúncia de seu antecessor. Al-Zindani, que já atuava como ministro das Relações Exteriores, manterá também essa pasta no novo gabinete.
A formação do governo, composto por 35 ministérios, é vista como uma tentativa de unificar e fortalecer a administração leal ao presidente Rashad al-Alimi, após meses de profundas divisões internas e tensões com grupos separatistas do sul do país.
O anúncio do novo governo coroa um processo de consolidação do controle saudita sobre o PLC. Pouco antes da nomeação de al-Zindani em janeiro, o conselho havia expulsado dois de seus membros ligados ao influente Conselho de Transição do Sul (STC), grupo separatista que o reino acusa de ser apoiado pelos Emirados Árabes Unidos (EAU).
O decreto presidencial definiu os nomes para as pastas mais estratégicas:
Um dos aspectos mais notáveis da nova formação é a inclusão de três mulheres em cargos ministeriais, marcando seu retorno à linha de frente do governo iemenita pela primeira vez desde 2015.
As nomeadas são:
A formação do governo ocorre em um momento de extrema fragilidade para o Iêmen. O país vive uma guerra civil desde 2014, quando os rebeldes Houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a capital Sanaa.
Nos últimos meses, as tensões se acirraram dentro da coalizão anti-Houthi:
Paralelamente, o Iêmen enfrenta a pior crise humanitária do mundo. Dados da ONU alertam que mais de 18 milhões de iemenitas (metade da população) enfrentarão insegurança alimentar aguda já neste mês de fevereiro, com dezenas de milhares em condições catastróficas.
O novo governo terá de lidar com desafios monumentais desde seu primeiro dia. Um funcionário do governo iemenita, sob anonimato, afirmou que a Arábia Saudita prometeu um apoio substancial, tanto financeiro quanto militar, à nova administração.
No final de janeiro, o reino já havia destinado US$ 90 milhões especificamente para o pagamento de salários de servidores públicos e militares por dois meses, além de ter se comprometido com meio bilhão de dólares para projetos humanitários.
O sucesso do primeiro-ministro al-Zindani dependerá de sua capacidade de gerenciar essas divisões internas, garantir o fluxo de ajuda vital para a população e apresentar uma frente unida nas futuras negociações de paz com os Houthis, que atualmente estão paralisadas.
Com informações de: Al Jazeera, Arab News, Xinhua, Yemen Online, Anadolu Agency, Yeni ?afak ■