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Aoun condena Israel por pulverização química no sul do Líbano como "crime ambiental"
Presidente libanês acusa Israel de violar soberania e ameaçar saúde pública, enquanto Beirute prepara queixa formal à ONU. Substância usada permanece não identificada
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou veementemente nesta quarta-feira (4) a pulverização aérea de substâncias químicas por Israel em vilarejos agrícolas no sul do Líbano, classificando o ato como um "crime ambiental e de saúde" e uma "violação flagrante da soberania" libanesa. Ele ordenou que todas as medidas diplomáticas e legais fossem tomadas para responder a esta agressão.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) relatou que foi informada pelo exército israelense na segunda-feira (2) sobre uma operação aérea para pulverizar o que Israel descreveu como uma "substância química não tóxica" em áreas próximas à Linha Azul, a fronteira demarcada entre os dois países. A missão da ONU considerou a atividade "inaceitável", pois forçou o cancelamento de mais de uma dúzia de atividades e a suspensão de patrulhas por nove horas, restringindo sua capacidade de cumprir o mandato.

As reações libanesas e internacionais se intensificaram diante do evento:

  • Resposta Libanesa: O Ministério das Relações Exteriores do Líbano anunciou que está compilando um dossiê legal detalhado, em coordenação com os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. O arquivo visa documentar a natureza das substâncias, verificar violações ao direito internacional e avaliar os danos à saúde humana, solo, vegetação e recursos hídricos.
  • Coleta de Amostras: A UNIFIL e o exército libanês coletaram amostras da substância pulverizada para testes de toxicidade. O Ministério da Agricultura enviou amostras para laboratórios especializados em Beirute e para um laboratório reconhecido pela União Europeia na Grécia.
  • Posicionamento da ONU: Stephane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou "séria preocupação" com qualquer atividade que coloque em risco civis e peacekeepers, reiterando o apelo para que todas as partes cumpram plenamente a Resolução 1701 do Conselho de Segurança.

A Ministra do Meio Ambiente do Líbano, Tamara El-Zein, afirmou que recebeu relatos de aviões israelenses pulverizando substâncias suspeitas de serem pesticidas sobre Aita Al-Shaab e vilarejos vizinhos. Ela vinculou o incidente a um padrão mais amplo de dano ambiental, alegando que Israel queimou aproximadamente 9.000 hectares de terra libanesa com fósforo branco e munições incendiárias durante o conflito recente.

O episódio ocorre em um contexto de tensão persistente. Um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah foi estabelecido em novembro de 2024, mas Beirute aleia que Israel continua atacando o Líbano quase diariamente em violação ao acordo. Em janeiro, o Líbano apresentou uma queixa à ONU documentando 2.036 violações israelenses ao cessar-fogo apenas nos últimos três meses de 2025. A Resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006, permanece como a base frágil para a trégua.

Os próximos passos envolvem ação legal e pressão diplomática. O governo libanês planeja submeter uma queixa formal ao Conselho de Segurança da ONU assim que o dossiê de evidências estiver completo. Paralelamente, o Presidente Aoun busca consolidar apoio internacional, como em visita a Madrid, onde pediu à Espanha e à UE que pressionem Israel a parar os ataques.

As alegações de uso de produtos químicos representam uma nova e grave dimensão nas hostilidades, com potencial para causar danos de longo prazo ao meio ambiente, à agricultura - setor já impactado com mais de US$ 118 milhões em danos diretos entre 2023 e 2024 - e à saúde pública no sul do Líbano.

Com informações de: Aljazeera, Anadolu Agency, WION, Eurasia Review, The New Arab, LBC Group, Sada News, Adnkronos ■

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