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O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou veementemente nesta quarta-feira (4) a pulverização aérea de substâncias químicas por Israel em vilarejos agrícolas no sul do Líbano, classificando o ato como um "crime ambiental e de saúde" e uma "violação flagrante da soberania" libanesa. Ele ordenou que todas as medidas diplomáticas e legais fossem tomadas para responder a esta agressão.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) relatou que foi informada pelo exército israelense na segunda-feira (2) sobre uma operação aérea para pulverizar o que Israel descreveu como uma "substância química não tóxica" em áreas próximas à Linha Azul, a fronteira demarcada entre os dois países. A missão da ONU considerou a atividade "inaceitável", pois forçou o cancelamento de mais de uma dúzia de atividades e a suspensão de patrulhas por nove horas, restringindo sua capacidade de cumprir o mandato.
As reações libanesas e internacionais se intensificaram diante do evento:
A Ministra do Meio Ambiente do Líbano, Tamara El-Zein, afirmou que recebeu relatos de aviões israelenses pulverizando substâncias suspeitas de serem pesticidas sobre Aita Al-Shaab e vilarejos vizinhos. Ela vinculou o incidente a um padrão mais amplo de dano ambiental, alegando que Israel queimou aproximadamente 9.000 hectares de terra libanesa com fósforo branco e munições incendiárias durante o conflito recente.
O episódio ocorre em um contexto de tensão persistente. Um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah foi estabelecido em novembro de 2024, mas Beirute aleia que Israel continua atacando o Líbano quase diariamente em violação ao acordo. Em janeiro, o Líbano apresentou uma queixa à ONU documentando 2.036 violações israelenses ao cessar-fogo apenas nos últimos três meses de 2025. A Resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006, permanece como a base frágil para a trégua.
Os próximos passos envolvem ação legal e pressão diplomática. O governo libanês planeja submeter uma queixa formal ao Conselho de Segurança da ONU assim que o dossiê de evidências estiver completo. Paralelamente, o Presidente Aoun busca consolidar apoio internacional, como em visita a Madrid, onde pediu à Espanha e à UE que pressionem Israel a parar os ataques.
As alegações de uso de produtos químicos representam uma nova e grave dimensão nas hostilidades, com potencial para causar danos de longo prazo ao meio ambiente, à agricultura - setor já impactado com mais de US$ 118 milhões em danos diretos entre 2023 e 2024 - e à saúde pública no sul do Líbano.
Com informações de: Aljazeera, Anadolu Agency, WION, Eurasia Review, The New Arab, LBC Group, Sada News, Adnkronos ■