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Nesta quarta-feira (4), representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos deram início à segunda rodada de negociações de paz em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. As conversas, que devem durar dois dias, ocorrem quase quatro anos após o início da invasão russa em larga escala e buscam avançar em direção a um acordo para encerrar o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, confirmou o início dos trabalhos em um formato trilateral, afirmando que o objetivo é "alcançar uma paz justa e duradoura". Após esta sessão conjunta, os negociadores se dividirão em grupos para discutir tópicos específicos, com uma nova reunião de sincronização prevista para o final do processo.
Principais protagonistas nas mesas de negociação:
O anfitrião do evento, os Emirados Árabes Unidos, emitiu uma nota reiterando seu compromisso com esforços internacionais por uma solução política abrangente, destacando a confiança da comunidade internacional em seu papel de facilitador.
As tratativas em Abu Dhabi esbarram em divergências históricas e profundas, com o controle territorial no leste da Ucrânia permanecendo como o principal obstáculo.
A Rússia, que ocupa aproximadamente 20% do território ucraniano, exige que Kiev retire suas forças de grande parte da região de Donetsk, incluindo uma cintura de cidades fortificadas que são consideradas uma das defesas mais sólidas da Ucrânia. Moscou também busca o reconhecimento internacional da soberania sobre os territórios anexados.
Em contrapartida, a Ucrânia defende que o conflito seja congelado nas atuais linhas de frente e se recusa a realizar uma retirada unilateral de suas tropas. Apenas na região de Donetsk, as forças ucranianas ainda controlam cerca de 20% do território. Analises indicam que, no ritmo atual de avanço, o exército russo levaria cerca de 18 meses para conquistar toda a região.
Outros pontos críticos em discussão incluem:
Enquanto os diplomatas se reuniam em Abu Dhabi, a guerra seguia seu curso devastador na Ucrânia. Na noite anterior ao início das conversas, a Rússia lançou um massivo ataque com centenas de drones e um número recorde de 32 mísseis balísticos, visando a infraestrutura energética do país.
Os ataques ocorreram apesar de um entendimento prévio de que o presidente russo, Vladimir Putin, teria concordado com uma pausa temporária nos bombardeios à rede elétrica ucraniana, a pedido do presidente norte-americano, Donald Trump. O Instituto para o Estudo da Guerra, centro de análise com sede em Washington, avalia que a “moratória de curto prazo” fez parte da estratégia de negociação de Moscou, que aproveitou os dias de pausa para estocar mísseis para um ataque maior.
O custo humano continua alto:
O ceticismo em relação a um acordo iminente é considerável, tanto entre analistas quanto na população ucraniana. "Acho que é tudo um espetáculo para o público. Devemos nos preparar para o pior e esperar o melhor", disse Petro, um morador de Kiev, à agência France-Presse.
Entretanto, há sinais de que a exaustão após anos de guerra pode estar influenciando a opinião pública. Uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, divulgada nesta semana, indicou que 40% dos ucranianos apoiariam a cessão de territórios no Donbas em troca de garantias de segurança robustas — um percentual significativo quando comparado aos 82% que, em maio de 2022, se opunham a qualquer concessão territorial.
As negociações também acontecem em um momento de tensão geopolítica ampliada, coincidindo com o vencimento, nesta quinta-feira (5), do último pacto nuclear remanescente entre a Rússia e os Estados Unidos, o que adiciona outra camada de urgência e complexidade ao diálogo.
Com informações de: Agence France-Presse, Times Brasil, Swissinfo.ch, Veja, Xinhua, Quincy Institute for Responsible Statecraft, O Globo, Midiamax, NBC News, Council on Foreign Relations ■