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Casa Branca afirma que Trump avalia compra da Groenlândia e não descarta uso de força militar
Declarações acendem crise diplomática com aliados europeus e dividem o Partido Republicano; Dinamarca alerta que ação militar americana significaria o fim da OTAN
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 08/01/2026

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou nesta quarta-feira (07/01) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discute "ativamente" a possibilidade de fazer uma oferta à Dinamarca para adquirir o território autônomo da Groenlândia. No entanto, ela reafirmou que "todas as opções estão na mesa", incluindo o uso de forças militares, para alcançar esse objetivo, considerado uma prioridade de segurança nacional .

Esta não é a primeira vez que Trump manifesta interesse pela maior ilha do mundo, mas as declarações ganharam um tom de urgência e ameaça concreta após a operação militar norte-americana que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro no último fim de semana . O episódio fez com que aliados europeus levassem a sério a possibilidade de uma ação unilateral dos EUA.

Reação Internacional e Risco à OTAN

A resposta da Dinamarca, da Groenlândia e de outras potências europeias foi imediata e unânime em rejeição:

  • Dinamarca e Groenlândia: A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi enfática ao afirmar que um ataque dos EUA a um país da OTAN significaria "o fim da aliança" e do sistema de segurança do pós-guerra . A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, declarou: "Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia" .
  • Apoio Europeu: Líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta reafirmando que a Groenlândia "pertence ao seu povo" e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre seu futuro .
  • Posição da População: Pesquisas indicam que apenas 6% dos groenlandeses desejam se juntar aos Estados Unidos, enquanto a maioria prefere a independência da Dinamarca .

Divisão Interna nos EUA e Justificativas

Dentro dos Estados Unidos, a postura agressiva da Casa Branca encontrou resistência até mesmo entre políticos do Partido Republicano:

  • O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, disse que "não há discussões sobre ação militar" e que o foco estaria nos canais diplomáticos .
  • O senador Thom Tillis (republicano) emitiu nota conjunta com uma democrata criticando as declarações: "Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem... respeitar a soberania" .
  • O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que planeja se reunir com autoridades dinamarquesas e groenlandesas na próxima semana, a pedido delas .

A justificativa central da administração Trump é estratégica e ligada à segurança nacional. A Groenlândia, localizada no Ártico, é vista como vital para conter a influência e a "agressão" da Rússia e da China na região, que é rica em recursos e ganha importância com novas rotas marítimas .

Contexto Histórico e Acordo Militar Existente

O interesse dos EUA pela Groenlândia não é novo. Em 1946, o presidente Harry Truman ofereceu US$ 100 milhões em ouro pela ilha, proposta rejeitada pela Dinamarca .

Um ponto crucial, porém, é que os Estados Unidos já possuem uma base militar na Groenlândia (Base Espacial Pituffik, antes Thule) e têm amplo acesso ao território graças a um acordo de defesa bilateral com a Dinamarca assinado em 1951 . Analistas questionam por que a Casa Branca não utiliza esse mecanismo existente, que já oferece liberdade para operações militares, em vez de ameaçar uma anexação .

Com informações de: DW, G1, ABC News, NBC News, InfoMoney, BBC, CNN Brasil, Veja ■

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