Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Agente de Imigração dos EUA mata mulher a tiros em Minneapolis e acirra conflito político
Confronto durante megaoperação migratória do governo Trump gera versões opostas, protestos e pedidos de expulsão de agentes federais da cidade
America do Norte
Foto: https://s2-g1.glbimg.com/-1AQdinL3GN1DSeaZA_R-qinf7M=/0x0:3500x2333/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/g/G/JktJW7SPAxKIo6BABOZw/ap26007639272103.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 08/01/2026

Um agente federal do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atirou e matou uma mulher de 37 anos em Minneapolis, Minnesota, na manhã de quarta-feira (7). O incidente ocorreu durante uma operação de imigração em larga escala ordenada pelo governo do presidente Donald Trump, mobilizando cerca de 2.000 agentes na região. A morte gerou protestos imediatos, uma dura reação de autoridades locais e um intenso conflito de narrativas entre o governo federal e líderes estaduais e municipais.

A vítima foi identificada pela família e por veículos de imprensa locais como Renee Nicole Good, uma cidadã americana e mãe de três filhos. Autoridades locais afirmam que nada indicava que ela fosse alvo de qualquer investigação policial ou de imigração.

Conflito de Narrativas: "Legítima Defesa" versus "Uso Imprudente do Poder"

As descrições do momento que levou ao tiroteio são radicalmente opostas:

  • Versão Federal (ICE e Casa Branca): O Departamento de Segurança Interna (DHS) alega que a mulher "usou seu veículo como arma" e tentou atropelar os agentes, que estariam realizando "operações direcionadas". Um porta-voz afirmou que o agente disparou "temendo por sua vida" e a de seus colegas, em legítima defesa. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a ação da motorista como um "ato de terrorismo doméstico". O presidente Donald Trump endossou essa versão em suas redes sociais.
  • Versão das Autoridades Locais: O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o chefe de polícia, Brian O'Hara, contestam veementemente o relato federal. Frey, que disse ter visto os vídeos do incidente, classificou a explicação do ICE como "besteira" (bullshit) e afirmou que foi um "agente usando seu poder de forma imprudente, o que resultou na morte de alguém". O chefe O'Hara disse que a mulher parecia estar usando seu carro para bloquear uma rua onde os agentes atuavam e que não houve indicação de que ela os teria como alvo.

Reações Políticas e Tensão Institucional

O tiroteio desencadeou uma forte crise política, com autoridades democratas de Minnesota exigindo a retirada imediata das forças federais:

  1. Prefeito Jacob Frey: Foi o mais enfático, declarando em coletiva de imprensa: "Para o ICE, deem o fora de Minneapolis. Não queremos vocês aqui". Ele acusou os agentes de causarem caos e desconfiança na cidade.
  2. Governador Tim Walz: Rejeitou a narrativa federal, chamando-a de "propaganda", e prometeu uma investigação estadual completa. Walz ainda afirmou ter colocado a Guarda Nacional do estado em alerta e pediu calma aos moradores.
  3. Outros Líderes: A vice-governadora Peggy Flanagan e a senadora Tina Smith também exigiram que o ICE deixasse o estado imediatamente para desescalar a situação.

O Contexto da Megaoperação e o Alvo à Comunidade Somali

O tiroteio não foi um incidente isolado, mas parte de uma operação de imigração ampliada. Desde a terça-feira (6), o governo Trump enviou aproximadamente 2.000 agentes federais para a região de Minneapolis. A operação está ligada, em parte, a investigações de supostas fraudes em programas de assistência social que teriam como alvo residentes de origem somali. Minnesota abriga uma das maiores diásporas somalis do mundo.

Esta morte representa uma escalada nas operações de imigração do governo Trump. De acordo com reportagens, este é ao menos o quinto fatal registrado em ações similares desde 2024, e o New York Times contabiliza nove casos de pessoas baleadas dentro de veículos por agentes do ICE desde setembro do ano passado.

Protestos e Memória de George Floyd

Horas após o tiroteio, dezenas de manifestantes se reuniram no local, gritando palavras de ordem como "Vergonha!" e "ICE fora de Minnesota!". O local do incidente fica a menos de 1,5 km de onde George Floyd foi morto por um policial em 2020, um paralelo que foi citado por autoridades e moradores, reacendendo traumas recentes na comunidade. Ao fim do dia, vigílias com velas e flores foram organizadas em memória de Renee Good.

Com informações de: G1, O Globo, Swissinfo, PBS NewsHour, Público, Agência Brasil, CNN, Veja, The Guardian, Folha de S.Paulo.

```■

Mais Notícias