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A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (6) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua equipe estão discutindo um leque de opções para “adquirir” a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e que o uso das Forças Armadas americanas está entre as possibilidades consideradas . A declaração oficial, que classifica o controle da ilha ártica como uma “prioridade de segurança nacional” vital para conter adversários na região, acirrou uma crise diplomática sem precedentes entre aliados da Otan e levou líderes europeus a uma reação conjunta em defesa da soberania dinamarquesa .
O interesse de Trump pela Groenlândia é antigo, mas as declarações recentes ganharam um tom mais grave e imediato. O assunto ressurgiu com força no fim de semana, logo após a operação militar americana na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro . No domingo (4), Trump afirmou que a Groenlândia está “coberta com navios russos e chineses” e que os EUA precisam dela por razões de segurança, sugerindo que a Dinamarca não seria capaz de garanti-la .
Na segunda-feira (5), Stephen Miller, vice-chefe de gabinete e um dos principais assessores de Trump, foi direto ao ponto em entrevista à CNN: “A posição formal do governo dos EUA é que a Groenlândia deve fazer parte dos Estados Unidos” . Questionado repetidamente se o governo descartava o uso da força, Miller respondeu: “Ninguém vai lutar militarmente contra os EUA pelo futuro da Groenlândia” . Horas depois, a Casa Branca emitiu seu comunicado oficial, confirmando que a opção militar está na mesa .
A reação da Dinamarca e de seus parceiros foi rápida, mas expôs fissuras na unidade transatlântica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já havia alertado no dia anterior que um ataque dos EUA a um país da Otan significaria “o fim de tudo” para a aliança . Em resposta às ameaças americanas, líderes de seis potências europeias — Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha — além do Canadá e da própria Dinamarca, divulgaram uma declaração conjunta durante uma reunião em Paris sobre a Ucrânia .
O documento é uma defesa clara da ordem internacional baseada em regras:
Analistas, no entanto, veem a resposta como contida. A declaração veio de apenas seis dos 27 membros da UE, e evitou uma crítica direta e nominal aos Estados Unidos, refletindo o nervosismo europeu em confrontar Washington .
O interesse americano vai muito além de um capricho presidencial e se fundamenta em uma combinação poderosa de estratégia militar e recursos naturais:
A crise coloca a Organização do Tratado do Atlântico Norte em um território inexplorado e perigoso. O Artigo 5º do tratado, a cláusula de defesa mútua, prevê que um ataque a um aliado é um ataque a todos. Contudo, não há precedente ou procedimento claro para o caso de o agressor ser outro membro da aliança .
Especialistas apontam que, na prática, a aplicação do Artigo 5º contra os próprios Estados Unidos – a potência militar e financeira dominante da Otan – é improvável, o que deixaria a aliança desmoralizada e potencialmente inoperante . Um ataque americano à Groenlândia criaria um impasse insustentável: os aliados europeus teriam que escolher entre aceitar a violação da soberania de um membro ou romper com Washington, ação que, em qualquer dos cenários, representaria o colapso da arquitetura de segurança ocidental pós-Segunda Guerra .
Enquanto as potências discutem seu destino, a população da Groenlândia (cerca de 57 mil habitantes) deixa clara sua posição. Pesquisas indicam que 85% dos groenlandeses se opõem à anexação pelos EUA, com apenas 6% a favor . O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, pediu um diálogo respeitoso e baseado no direito internacional, exigindo que Trump pare com as “fantasias de anexação” .
Além da opção militar, fontes americanas citam outras vias em discussão na Casa Branca, como uma compra direta do território ou a formação de um “Acordo de Associação Livre” (semelhante ao que os EUA têm com algumas nações insulares do Pacífico), que daria controle sobre defesa e segurança em troca de assistência financeira . A Dinamarca e a Groenlândia, no entanto, já rejeitaram veementemente qualquer negociação de venda, afirmando que o território “não é um pedaço de terra à venda” .
Com informações de: G1, BBC, Público, Deutsche Welle, NBC News, Opera Mundi, UOL ■