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Defesa da casa: indígenas ocupam COP30 contra garimpo, agronegócio e crime organizado
Protestos históricos na conferência do clima revelam como violência contra povos originários se tornou a face humana da crise ambiental
Analise
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■   Bernardo Cahue, 17/11/2025

Em um momento em que o mundo tem os olhos voltados para a Amazônia, os povos indígenas transformaram a COP30 em palco de protestos históricos que vão muito além do discurso ambiental convencional. Eles não lutam apenas por árvores e rios, mas por suas vidas, culturas e territórios ameaçados por uma complexa rede de interesses econômicos e criminosos.

O grito por território: a base de toda a luta

A principal reivindicação dos povos indígenas é a demarcação de terras, uma promessa de campanha do presidente Lula que avança em ritmo muito mais lento que o desmatamento. Os números revelam a urgência:

  • A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) cobra a demarcação de 105 territórios com processos parados
  • O governo federal homologou 16 territórios desde o início do terceiro mandato de Lula
  • Terras Indígenas com presença de povos isolados perderam mais de 2 mil hectares de floresta apenas em 2024

As frentes de destruição: do garimpo ao agronegócio

Os territórios indígenas enfrentam ameaças multifacetadas que operam em diferentes escalas:

Garimpo ilegal e crime organizado

O garimpo ilegal deixou de ser uma atividade de indivíduos isolados e se transformou em empreendimento sofisticado conectado com o crime organizado. Os impactos são visíveis em territórios como:

  • TI Mundurucu: 159 hectares de desmatamento por mineração ilegal em 2024
  • TI Zoró: aumento de 103% no desmatamento em 2024
  • TI Yanomami: relatos de "reingresso massivo de garimpeiros" em áreas recentemente retomadas

Agronegócio e grandes obras

A Ferrogrão, ferrovia que ligaria Mato Grosso ao Pará, tornou-se símbolo de resistência para os indígenas durante a COP30. O projeto, defendido como rota de escoamento para a soja, aumentaria a pressão do agronegócio sobre territórios protegidos.

Milícias rurais e poder político

A investigação revelou os laços entre o chamado "agrobolsonarismo" e milícias rurais na Amazônia, com a atuação de políticos e produtores rurais acusados de ataques aos povos do campo.

A resistência e as respostas do Estado

Diante desse cenário complexo, os povos indígenas não se calam. Na COP30, conseguiram pela primeira vez na história o credenciamento de 360 indígenas brasileiros para a Zona Azul.

O governo federal tem respondido com operações de fiscalização, como a Operação Xapiri Wahanararai, que desarticulou estruturas de garimpo ilegal no Amazonas. Porém, as ações pontuais não parecem suficientes para conter a escalada de violência.

O futuro em jogo

Os protestos indígenas na COP30 revelam que a proteção da Amazônia depende do reconhecimento de que a crise climática e a violação dos direitos humanos são faces da mesma moeda. Enquanto o mundo debate metas de redução de emissões, os povos originários lembram que não há solução para o planeta sem justiça territorial.

Com informações de BBC.com, Gov.br Funai, Oglobo.globo.com, Instituto Socioambiental, UOL.com.br ■

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