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Em uma rara demonstração de união, virtualmente toda a imprensa dos Estados Unidos se recusou a aceitar as novas e restritivas regras de acesso impostas pelo Pentágono, que instituem um sistema de censura prévia. A decisão resultou na revogação das credenciais de jornalistas que cobrem o Departamento de Guerra (antigo Departamento de Defesa), provocando um êxodo sem precedentes da sede do órgão .
As novas determinações, anunciadas em setembro pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, exigiam que jornalistas credenciados submetessem qualquer informação relacionada ao departamento – secreta ou não – à aprovação prévia de um funcionário autorizado antes da publicação, sob o risco de perderem o acesso às instalações . A política também proíbe repórteres de acessar ou solicitar informações que o Departamento de Defesa não disponibilize .
Em resposta, os principais veículos de comunicação do país publicaram uma nota conjunta se recusando a cumprir as exigências. O texto é assinado por ABC News, CBS News, CNN, Fox News Media e NBC News .
"Hoje, nós nos juntamos a virtualmente todos os outros veículos de imprensa ao nos negarmos a concordar com as novas exigências do Pentágono, as quais restringiriam a capacidade dos jornalistas de manter a nação e o mundo informados de questões importantes de segurança nacional", diz a nota. "Continuaremos a cobrir as Forças Armadas dos EUA (…) mantendo os princípios de uma imprensa livre e independente" .
Além das redes de televisão, uma ampla gama de outras organizações jornalísticas também se recusou a assinar o documento, incluindo:
De acordo com os relatos, apenas um veículo, a One America News (OAN), favorável ao ex-presidente Donald Trump, concordou em assinar a política . A Associação de Imprensa do Pentágono (PPA) emitiu um comunicado afirmando que as novas regras "silenciam os funcionários do Pentágono" e ameaçam com retaliações os repórteres que buscam informações não previamente aprovadas . A entidade classificou as exigências como "vagas e provavelmente inconstitucionais" .
Como consequência direta da recusa, cerca de 100 passes de imprensa foram revogados, e os jornalistas foram obrigados a desocupar seus espaços dentro do edifício na última terça-feira (14) . Testemunhas descreveram um clima de "tristeza, mas também de resiliência" enquanto os profissionais recolhiam equipamentos e esvaziavam mesas que, em alguns casos, ocupavam há décadas . Um repórter anônimo resumiu: "Todos estão unidos, mas desapontados que tenha chegado a esse ponto" .
Esta retirada em massa marca um evento histórico: é a primeira vez desde a inauguração do Pentágono, em 1943, que provavelmente não haverá grandes veículos de notícias credenciados para cobrir o departamento de dentro de suas instalações .
As novas regras fazem parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump para restringir o acesso da imprensa ao Pentágono. Medidas anteriores incluíram a expulsão de veículos de seus escritórios no edifício e uma redução drástica no número de coletivas de imprensa, que caíram para menos de seis em 2025, contra uma média de duas por semana durante o governo Biden .
Com informações de: G1, JN, UOL, Poder360, Observador, Folha, O Globo, GauchaZH. ■