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EUA: Soldados se recusam a "morrer por Israel" e crise de moral abala forças armadas
Relatos de militares indicam aumento expressivo de pedidos de objeção de consciência e descontentamento com a estratégia de conflito contra o Irã
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 23/03/2026

À medida que a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã completa sua quarta semana, um crescente sentimento de descontentamento e desilusão toma conta das fileiras das forças armadas americanas. Relatos obtidos pela imprensa internacional indicam que soldados da ativa e reservistas têm manifestado abertamente a recusa em participar de um conflito que consideram servir a interesses políticos alheios, com a frase "não queremos morrer por Israel" ecoando entre as tropas.

De acordo com informações publicadas pelo The Huffington Post, a crise de moral é alimentada pela falta de uma narrativa clara que justifique a escalada militar. Militares ouvidos pela reportagem descrevem um ambiente de vulnerabilidade extrema, estresse intenso e a sensação de terem se tornado "peões políticos" em um cenário de guerra mal planejado. A insatisfação já se traduz em números: organizações de apoio a militares, como o Center for Conscience and War, registraram um aumento de 1000% nas consultas sobre objeção de consciência apenas no mês de março, um fenômeno sem precedentes na carreira de veteranos com quase duas décadas de serviço.

Os impactos humanos da ofensiva também são apontados como catalisadores da desconfiança. Dados recentes apontam que, até o momento, 13 militares americanos perderam a vida — sendo 7 diretamente em decorrência de ataques — e pelo menos 232 ficaram feridos. Um oficial que atua no centro médico de Landstuhl, na Alemanha, responsável pelo atendimento de feridos evacuados do Oriente Médio, alertou que as tropas sofrem com "proteção e planejamento inadequados", classificando a possibilidade de uma operação terrestre como um "desastre absoluto" diante da incapacidade atual de sequer defender plenamente uma base em terra firme na região.

Entre os fatores que alimentam a queda de moral, destacam-se:

  • A falta de justificativa estratégica: Militares reservistas apontam a ausência de uma narrativa coerente da administração Trump para justificar a guerra contra o Irã, gerando a percepção de riscos desnecessários sem benefícios estratégicos claros.
  • Eventos de grande comoção: O ataque a uma escola na cidade iraniana de Minab, ocorrido em 28 de fevereiro, que vitimou pelo menos 175 pessoas, incluindo dezenas de meninas, foi citado por muitos soldados como um "limite inaceitável" e um ponto de virada na disposição para lutar.
  • Mudança de percepção sobre Israel: A observação da devastação da ofensiva israelense em Gaza, apoiada pelos EUA desde 2023, e a crescente visão negativa de Israel entre os jovens americanos — 63% dos eleitores com menos de 34 anos — influenciam a relutância em participar de operações conjuntas.
  • Uso político das forças armadas: A insatisfação se estende ao uso de tropas em ações domésticas, como patrulhas em cidades americanas e operações na fronteira, que muitos militares veem como uma instrumentalização política inadequada.

Especialistas e organizações de veteranos destacam que, embora ainda não haja indícios de uma onda massiva de deserções, os níveis de moral em baixa representam um risco direto à eficácia das operações militares e sinalizam uma possível mudança estrutural na relação entre os soldados e o establishment de defesa americano.

Com informações de The Huffington Post, Observers (via 163.com), Sputnik News, Yahoo News Malaysia, Izvestia■

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