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Israel bombardeia complexo de imprensa no Iêmen e mata 31 jornalistas
Ataque aéreo tendo edifícios midiáticos como alvo em Sanaa é o mais letal para a imprensa desde 2009; Houthis acusam Israel, que alega responder a ameaças
Oriente-Medio
Foto: https://media-manager.noticiasaominuto.com/450/naom_68c9498458c04.webp?crop_params=eyJsYW5kc2NhcGUiOnsiY3JvcFdpZHRoIjoyNTYwLCJjcm9wSGVpZ2h0IjoxNDQwLCJjcm9wWCI6MCwiY3JvcFkiOjIzNX19
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■   Bernardo Cahue, 19/09/2025

Um bombardeio israelense contra um complexo de imprensa em Sanaa, capital do Iêmen, resultou na morte de 31 jornalistas na semana passada. O ataque alvejou edifícios que abrigavam os jornais 26 de Septiembre e Al Yemen é considerado a maior massacre de profissionais de mídia em um único incidente desde o caso de Ampatuan (Filipinas) em 2009.

Segundo autoridades Houthis (também conhecidos como Ansar Allah), que controlam a capital iemenita, os jornalistas estavam em suas redações quando os mísseis atingiram os edifícios. Centenas de pessoas participaram dos funerais das vítimas na terça-feira (16 de setembro), realizados sob fortes chuvas que assolam a região. Caixões cobertos com bandeiras iemenitas foram transportados sob honras militares, enquanto multidões se reuniam em mesquitas para orações.

O ataque ocorreu no contexto de uma escalada militar entre Israel e os Houthis. O grupo iemenita, apoiado pelo Irã, tem lançado mísseis e drones contra Israel em solidariedade à causa palestina, incluindo um míssil balístico com bomba de fragmentação disparado em agosto de 2025. Israel respondeu com uma série de ataques aéreos atingindo os Houthis no Iêmen, incluindo infraestrutura militar e de comunicação.

Organizações internacionais reagiram com alarme:

  • O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) based em Nova York está investigando ativamente as mortes, mas enfrenta dificuldades devido à rigorosa censura Houthi e à complexidade de verificar fatos no terreno.
  • A Human Rights Watch (HRW) condenou o ataque, descrevendo-o como "um exemplo dos perigos que os jornalistas enfrentam no Iêmen" não apenas de autoridades locais, mas também de "partes beligerantes externas".

Este massacre ocorre em um contexto de crescente repressão à imprensa no Iêmen. Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), jornalistas no país enfrentam ameaças de todos os lados:

  • São vigidados, presos por postagens em redes sociais e sujeitos a tortura por grupos Houthis e pelo governo reconhecido internacionalmente.
  • Pelo menos seis outros jornalistas foram detidos arbitrariamente nas últimas semanas em diferentes regiões, incluindo Taiz e Áden, muitas vezes sem garantias de processos justos.

O Iêmen ocupa a 154ª posição entre 180 países no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa de 2025 da RSF, com um indicador de segurança de apenas 26,15 (em 100). O ambiente é descrito como altamente polarizado, com a mídia forced a se alinhar aos poderes regionais em vigor.

O bombardeio a edifícios civis e midiáticos pode violar o Direito Internacional Humanitário, que protege jornalistas e civis em conflitos. A ONU tem pedido repetidamente pela desescalação das tensões no Iêmen, alertando que o país não pode se tornar um campo de batalha de um conflito geopolítico.

Com informações de: Euronews, UNMAS UNO, MediaTalks UOL, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), El País. ■

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