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PP e União Brasil, partidos que formam a superfederação União Progressista — a maior bancada do Congresso Nacional com 107 deputados federais e 14 senadores —, atravessam um momento decisivo para o futuro da aliança nas eleições de 2026. Em discussões internas cada vez mais acaloradas, as duas siglas dividem-se entre duas estratégias opostas: de um lado, a defesa para que cada direção estadual tenha liberdade para formar coligações de acordo com as realidades regionais; de outro, a manutenção de uma posição de neutralidade na corrida presidencial, sem declarar apoio oficial ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, contudo, cresce a pressão das bases para que a federação abandone de vez o discurso de cautela e caminhe para um alinhamento formal com o herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O imbróglio ganhou contornos ainda mais complexos com a chamada "rebelião interna", liderada pelo deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que pediu o cancelamento do registro da federação diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando impasses regionais que estariam inviabilizando o projeto comum.
Até o momento, as direções nacionais do PP e do União Brasil mantêm a palavra de ordem: não há aliança nacional fechada com Flávio, e a decisão final sobre o apoio só deve ser tomada até o mês de junho. O argumento utilizado pelo presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), é pragmático: "Só depende de Flávio. Se ele continuar essa pessoa equilibrada, falando para o centro, para o Brasil virar a página dessa disputa, ele vai ter nosso apoio". A ameaça implícita é clara: se a campanha do PL pender para o radicalismo, a federação poderá ou permanecer neutra ou, no limite, optar pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Confira a seguir os principais pontos dessa negociação e as tendências de voto:
Além das discussões internas, o desenrolar das eleições estaduais tem impactado diretamente a estratégia nacional. De acordo com apuração da CNN Brasil, o PT projeta alianças com PP e União Brasil em pelo menos dez estados — incluindo Piauí, Ceará e Bahia —, enquanto o PL avança com acordos nos mesmos estados. A situação gera um paradoxo: em Brasília, as cúpulas ensaiam um rompimento com o Planalto, mas nos estados, as bases seguem fechando acordos com o petismo.
Ciro Nogueira busca equilibrar os pratos. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, ele tenta garantir que, em um eventual governo de Flávio, os quadros do PP sejam contemplados — mas sem repetir o erro do início da gestão Bolsonaro, quando os "bolsonaristas raiz" tomaram os espaços de poder. Nos últimos dias, Nogueira intensificou reuniões com Flávio e com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para tentar destravar o acordo. No entanto, a avaliação de que o apoio só virá em troca de espaço real no governo é unânime entre os dirigentes.
Do lado do União Brasil, o presidente Antônio Rueda joga em duas frentes. Publicamente, mantém a porta aberta para Lula — a quem fez duras críticas no passado — enquanto articula nos bastidores a manutenção da neutralidade. A situação se complicou com a saída do ex-pré-candidato Ronaldo Caiado para o PSD, o que esvaziou a candidatura própria da sigla e forçou Rueda a buscar abrigo no campo de Flávio Bolsonaro. A solução de compromisso cogitada é a liberação para que os diretórios estaduais apoiem quem quiser, enquanto a executiva nacional mantém voto neutro no primeiro turno.
O prazo final para a oficialização da federação junto ao TSE termina em 4 de abril, e a pressão sobre os dirigentes é imensa[reference:18]. A ministra Estela Aranha, relatora do caso, já emitiu parecer favorável à federação, mas a manifestação contrária de parlamentares influentes como Mendonça Filho e Laércio Oliveira (PP-SE) pode emperrar o acordo nos estados. Sem a unanimidade necessária para sobreviver à primeira eleição, os dirigentes podem optar pelo caminho politicamente mais seguro: deixar a definição para depois do julgamento do TSE, mantendo o status quo até que as candidaturas estejam oficialmente registradas.
Analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que a indefinição tem custos eleitorais concretos. Quanto mais tempo PP e União Brasil demorarem a decidir o rumo na eleição presidencial, maior o desgaste com os dois polos (Lula e Flávio), e maior a chance de os eleitores migrarem para legendas que já tenham posicionamento claro, como PL e PT. A expectativa é de que, até o fim de maio, as duas siglas publiquem um manifesto conjunto definindo as regras de comportamento para 2026 — incluindo a resposta definitiva sobre o apoio a Flávio Bolsonaro.
Com informações de Brasil 247, Folha de S.Paulo, O Globo, CNN Brasil, Gazeta do Povo, PlatóBR ■