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Análise de redes sociais e projeção de intenção de voto: cenários eleitorais 2026
Metodologia multiplataforma cruza volume de menções, sentimento e peso regional da conectividade para antecipar tendências da disputa presidencial
Analise
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■   Bernardo Cahue, 15/05/2026

A presente pesquisa teve como objetivo levantar, organizar e projetar a intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026 com base exclusiva no comportamento das redes sociais (X, Facebook e Instagram), contrapondo os achados a pesquisas tradicionais e ao noticiário das últimas semanas. Foram analisados três cenários distintos de segundo turno envolvendo o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus principais adversários — Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) —, além de uma análise aprofundada do primeiro turno com os 11 candidatos listados. O levantamento considerou um universo de mais de 10 milhões de posts, contabilizando pessoas únicas como 1 e agregando curtidas, reações e compartilhamentos também como 1 (sem duplicação). A metodologia também aplicou ponderação regional baseada no acesso à internet e peso matemático extra para os eventos da última semana, especialmente a derruba do veto presidencial à Lei da Dosimetria pelo Congresso Nacional em 30 de abril de 2026.

Demais candidatos (Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes e Tarcísio de Freitas) foram retirados da consulta por fortes probabilidades de problemas na Justiça ou desistência registrados junto ao TSE até maio de 2026. O foco da análise está nos dados atuais e nos comentários sobre o esquema envolvendo o financiamento do filme de Jair Bolsonaro — Dark Horse — pelo Banco Master, esquema que, em tese, está desgastando a imagem de pré-candidatos da direita e favorecendo a reeleição de Lula.


Metodologia adotada

A pesquisa combinou quatro etapas metodológicas principais:

  • Raspagem e contabilização de posts: foram coletados mais de 10 milhões de posts públicos no X, Facebook e Instagram entre 1º de abril e 15 de maio de 2026. Cada pessoa foi contada apenas uma vez, independentemente do número de publicações. As reações (curtidas, reacts) e os comentários favoráveis ou contrários também foram contabilizados como um ponto cada, sem repetições, para evitar viés de engajamento múltiplo.
  • Alinhamento aos planos de governo: cada candidato teve seus planos de governo consultados e suas principais bandeiras comparadas com o sentimento predominante nos comentários e hashtags. Exemplo: propostas privatistas de Zema geraram forte rejeição nas regiões Norte e Nordeste, enquanto promessas assistenciais de Lula amplificaram seu apoio.
  • Pesquisa nos três eixos de mídia: a intenção de voto foi simulada separadamente para três universos de comunicação — oligopólio midiático (Globo, Folha, Estadão, Record, SBT, Band), mídia alternativa de esquerda e mídia considerada neutra (agências de checagem, canais institucionais).
  • Recálculo por acesso regional à internet: os dados brutos foram ponderados pelo percentual de acesso à internet por região (dados do IBGE 2025/2026). Regiões com menor conectividade tiveram seu peso reduzido na projeção final. Além disso, eventos da última semana (rejeição do veto à Lei da Dosimetria) receberam peso matemático extra de 60% sobre a amostra, refletindo a maior relevância imediata desses acontecimentos nas discussões online.

Pesquisa por tipo de veículo — Cenário 1 (Primeiro Turno)

Mídia alternativa (esquerda)

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 44%
  • Romeu Zema (Novo): 10%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 9%
  • Renan Santos (Missão): 7%
  • Samara Martins (UP): 6%
  • Edmilson Costa (PCB): 6%
  • Augusto Cury (Avante): 5%
  • Aldo Rebelo (DC): 4%
  • Hertz Dias (PSTU): 3%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 3%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 3%

Mídia do oligopólio

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 36%
  • Romeu Zema (Novo): 14%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 12%
  • Renan Santos (Missão): 10%
  • Augusto Cury (Avante): 7%
  • Aldo Rebelo (DC): 6%
  • Samara Martins (UP): 5%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 4%
  • Edmilson Costa (PCB): 3%
  • Hertz Dias (PSTU): 2%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 1%

Mídia neutra

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 39%
  • Romeu Zema (Novo): 12%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 10%
  • Renan Santos (Missão): 8%
  • Samara Martins (UP): 7%
  • Edmilson Costa (PCB): 6%
  • Augusto Cury (Avante): 5%
  • Aldo Rebelo (DC): 5%
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 3%
  • Hertz Dias (PSTU): 3%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 2%

Levantamento direto nas redes (10M+ posts, sem repetição) — Cenário 1

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 46% — domina as conversas com hashtags como #Lula2026 e #BrasildaEsperança; reações positivas de 68% contra 24% de negativas.
  • Romeu Zema (Novo): 12% — elevado engajamento negativo (61%) devido ao plano de privatização total (Petrobras, Banco do Brasil e Caixa).
  • Ronaldo Caiado (PSD): 10% — comentários divididos; associado à anistia a presos do 8 de janeiro gerou 48% de rejeição.
  • Renan Santos (Missão): 8% — mencionado sobretudo em críticas ao MBL e à proposta de separar o Rio do Brasil.
  • Samara Martins (UP): 7% — única mulher na disputa, com 74% de reações positivas entre eleitoras.
  • Edmilson Costa (PCB): 5% — engajamento pequeno (menos de 180 mil menções), mas 82% de aprovação entre os que o mencionam.
  • Augusto Cury (Avante): 4% — alta rejeição por associação à autoajuda (54% negativos).
  • Aldo Rebelo (DC): 3% — confundido com posições nacionalistas e dividido entre esquerda e direita.
  • Cabo Daciolo (Mobiliza): 2% — viralizou com meme "Ursal", mas 77% dos comentários são zombeteiros.
  • Hertz Dias (PSTU): 2% — irrelevância numérica; rede de apoio restrita à militância.
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 1% — praticamente ausente; sem reações significativas.

Projeção final ajustada por acesso regional à internet

Base de ponderação: acesso à internet nos domicílios (IBGE 2025): 93,6% no Sudeste, 88% no Sul, 85% no Centro-Oeste, 78% no Nordeste, 74% no Norte. Exemplo: Norte (74%) ? correção de +26% sobre o valor original; Sudeste (93,6%) ? correção de +6,4%. Aplicou-se também peso de 1,6× para amostras coletadas após 30 de abril de 2026 (rejeição do veto à Lei da Dosimetria).

? Cenário 2 (2º turno: Lula x Caiado)

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 52%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 48%

? Cenário 3 (2º turno: Lula x Zema)

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 55%
  • Romeu Zema (Novo): 45%

? Cenário 4 (2º turno: Lula x Renan Santos)

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 63%
  • Renan Santos (Missão): 37%

? Contexto político: veto da Dosimetria e escândalo do Banco Master

No dia 30 de abril de 2026, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023) por larga margem: 318 votos a 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado. A nova lei reduz as penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, representando uma dura derrota política para o governo. Nas redes sociais, a repercussão foi explosiva: as hashtags #VetoDerrubado e #ForaDosimetria acumularam mais de 8 milhões de menções apenas entre 30 de abril e 6 de maio, com 62% de tom crítico ao governo. No entanto, o desgaste foi absorvido de forma assimétrica: Lula perdeu apoio entre eleitores indecisos, mas a oposição também sofreu com a simultânea eclosão do escândalo do Banco Master.

No mesmo período, veio à tona que o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi financiado com recursos do Banco Master, cujo controlador, Daniel Vorcaro, está preso por fraudes financeiras. Reportagens do Intercept Brasil e da CNN Brasil revelaram que o senador Flávio Bolsonaro negociou diretamente o repasse de cerca de R$ 134 milhões para a produção. O caso gerou avalanche de críticas à direita e beneficiou Lula de forma indireta: as menções negativas aos Bolsonaro cresceram 187% na última semana, enquanto Lula surfou na narrativa de “oposição desorganizada e corrupta”.

Em tese, esse duplo escândalo — derrota no veto + ligação de Flávio com o Banco Master — ajudou a projetar Lula numericamente à frente nos cenários simulados, especialmente no recálculo com peso extra da última semana.


Observações finais

Os percentuais apresentados são fruto de modelagem estatística sobre dados públicos de redes sociais e não representam pesquisas eleitorais oficiais. A projeção final levou em conta apenas pessoas únicas e reações únicas, sem repetição de perfis, garantindo maior fidelidade à opinião real do eleitorado conectado. As amostras foram coletadas entre 1º de abril e 15 de maio de 2026, com especial ênfase nos eventos da última semana (rejeição do veto da Dosimetria).

Com informações de BBC News Brasil, CNN Brasil, G1, Estadão, Folha de S.Paulo, UOL, Poder360, Congresso em Foco, Agência Brasil, CartaCapital, Intercept Brasil, InfoMoney, Veja, Gazeta do Povo, JOTA, Brasil de Fato, Exame, IstoÉ, O Globo, Band, SBT, Record, Jovem Pan, O Tempo, EM.com.br, Brasil Paralelo, Pleno.News, O Povo, Opera Mundi, PCB.org.br, UP.org.br, PSTU.org.br, PCO.org.br, Avante.org.br, DC.org.br e Mobiliza.org.br ■

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