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Os governos do Brasil, da Espanha e do México divulgaram, neste sábado (18 de abril de 2026), uma declaração conjunta na qual prometem intensificar o envio de ajuda humanitária coordenada a Cuba. O anúncio foi feito durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum de Defesa da Democracia, realizada em Barcelona, na Espanha, e contou com as presenças do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente do México, Claudia Sheinbaum, e do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Segundo a nota oficial, publicada pelo Itamaraty, os três países estão comprometidos a "intensificar a resposta humanitária coordenada, visando a aliviar o sofrimento do povo cubano".
A crise humanitária em Cuba se agravou drasticamente desde janeiro de 2026, quando o governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, impôs um bloqueio ao fornecimento de petróleo venezuelano à ilha. A medida, que também ameaça com sanções outros países que forneçam combustível a Cuba, resultou em apagões generalizados, escassez de alimentos e medicamentos, além do colapso parcial do sistema de saúde. A falta de combustível afetou diretamente hospitais e clínicas, com relatos de ambulâncias paradas e tratamentos, como quimioterapia, sendo interrompidos, colocando "vidas em risco".
Na declaração conjunta, os três países, sem mencionar diretamente os Estados Unidos ou Trump, fazem um chamado explícito ao respeito ao direito internacional e aos princípios da Carta da ONU. O documento "reitera a necessidade de respeitar, em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias". Além disso, a nota defende um "diálogo sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional", cujo objetivo deve ser "criar as condições para que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade".
O presidente Lula, que já havia criticado abertamente o bloqueio dos EUA, reforçou a posição brasileira. "Estou preocupado com Cuba, muito preocupado. Cuba tem problema, mas é um problema dos cubanos", declarou Lula durante o fórum, pedindo o fim do embargo. A declaração conjunta é vista como uma resposta direta às recentes ameaças de Trump, que, após a guerra contra o Irã, afirmou que Cuba poderia ser o próximo alvo de ações militares. O presidente dos EUA já havia dito publicamente que "podemos parar em Cuba depois que terminarmos com isso".
A ajuda humanitária anunciada pelos três países não é a primeira. Desde março, o Brasil já havia se comprometido a enviar aproximadamente 21 mil toneladas de alimentos e mantimentos a Cuba, incluindo arroz, feijão, leite em pó e medicamentos. O governo brasileiro trata o assunto com discrição para evitar politização em ano eleitoral. México e Espanha também têm participado ativamente dos esforços de socorro, seja por meio de envios bilaterais ou em coordenação com organizações multilaterais, como o Programa Mundial de Alimentos.
A situação em Cuba, no entanto, permanece crítica. Além dos apagões que afetam todo o país, a população enfrenta uma inflação galopante e a falta de itens básicos. A dependência de Cuba do petróleo venezuelano, que foi cortado, e a recusa de Trump em permitir importações de outros fornecedores criaram um cenário de "asfixia econômica", como definido pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. Apesar disso, Díaz-Canel tem se mostrado desafiador, afirmando que o país está "pronto para confrontar sérias ameaças, incluindo agressão militar".
O compromisso de Brasil, Espanha e México, três países com significativa influência regional e global, representa um esforço coordenado para aliviar o sofrimento do povo cubano e uma rejeição clara às políticas unilaterais e às ameaças de intervenção militar, reafirmando os princípios do multilateralismo e da autodeterminação dos povos.
Com informações de G1, UOL, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Metrópoles, Poder360, BBC News Brasil, Al Jazeera, DW, Reuters, Observador, Brasil de Fato, O Tempo, BNews, Internacional (Reuters), US News, Albayan.ae, Radio Habana Cuba, Prensa Latina ■