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O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi solto nos Estados Unidos na tarde desta quarta-feira (15), após passar dois dias detido em Orlando, na Flórida. A libertação ocorreu às 14h52 no horário local (15h52 em Brasília), de acordo com informações da polícia local obtidas pela TV Globo. Ramagem havia sido preso na segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) por questões migratórias, conforme confirmou a Polícia Federal (PF).
Após a detenção, o ex-parlamentar foi encaminhado a um centro de detenção do Condado de Orange, na região metropolitana de Orlando, onde permaneceu em uma cela separada. Nesta quarta-feira, seu nome já não constava mais na lista de detidos do centro nem no sistema do ICE, o que confirmou a sua saída da custódia. Até o momento, as autoridades americanas não divulgaram oficialmente as razões que levaram à soltura, e a Polícia Federal informou que aguarda mais detalhes sobre o caso.
A prisão de Ramagem ocorreu após uma operação de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a PF, o paradeiro do ex-deputado foi descoberto após investigadores brasileiros localizarem o veículo que ele utilizava para buscar a esposa no aeroporto. Durante o monitoramento, apurou-se que Ramagem havia comprado um automóvel utilizando um passaporte que já havia sido cancelado por determinação da Justiça brasileira, o que ajudou na sua identificação.
A soltura foi comemorada publicamente por aliados de Ramagem. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou a libertação em suas redes sociais e chegou a agradecer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, “pela sensibilidade e atenção em tratar o caso deste verdadeiro herói nacional”. O empresário e influenciador Paulo Figueiredo também celebrou a notícia, afirmando que Ramagem “está em casa com a família na Flórida” e que sua situação migratória “é absolutamente regular”. A esposa do ex-deputado, Rebeca Ramagem, publicou um vídeo ao lado das filhas do casal dizendo que aguardava a chegada dele em casa.
Ramagem é um dos condenados no âmbito da ação penal que apurou uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado. O ex-deputado deixou o Brasil de forma clandestina em setembro de 2025, antes da conclusão do julgamento, cruzando a fronteira de Roraima com a Guiana e seguindo para os Estados Unidos com um passaporte diplomático.
Desde que chegou aos Estados Unidos, aliados de Ramagem afirmam que ele pretende pedir asilo político no país, o que poderia influenciar a decisão das autoridades americanas sobre uma eventual deportação ou extradição. O governo brasileiro, por sua vez, já encaminhou formalmente um pedido de extradição ao governo norte-americano. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que a documentação havia sido enviada à Embaixada do Brasil em Washington, que a repassou ao Departamento de Estado americano em 30 de dezembro de 2025. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista de difusão vermelha da Interpol, o que permite sua detenção por autoridades estrangeiras.
Em dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados cassou o mandato de Alexandre Ramagem, e o STF também determinou o bloqueio de seus vencimentos parlamentares. O passaporte diplomático que ele utilizou para entrar nos Estados Unidos foi cancelado pelo Ministério das Relações Exteriores.
Com a soltura, Ramagem retoma sua rotina em território americano enquanto aguarda a definição de seu pedido de asilo e os desdobramentos do processo de extradição solicitado pelo Brasil. Ainda não há uma data prevista para que a Justiça americana decida sobre o futuro do ex-deputado no país.
Com informações de Agência Brasil, Brasil de Fato, CBN, Folha de S.Paulo, G1, Gazeta do Povo, InfoMoney, Poder360, R7 ■