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O Brasil respira aliviado, mas ainda sob forte tensão. Após dias de articulação intensa do governo federal, lideranças de caminhoneiros decidiram suspender a greve que estava prevista para esta semana, aceitando sentar à mesa de negociação com o ministro Guilherme Boulos. O recuo, no entanto, não apaga o fato de que o país esteve à beira de um abismo logístico e político. Mais do que uma crise de abastecimento, o que se desenhou nos últimos dias foi um ensaio perigoso de repetição da história, onde a extrema-direita, sedentária no poder, encontrou no atual cenário de guerra global a oportunidade de ouro para tentar reeditar o roteiro de 2018: culpar o governo do PT e semear o caos para colher dividendos eleitorais.
O gatilho para a tensão foi externo e brutal. A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma disparada nos preços internacionais do petróleo e uma desorganização nas rotas de abastecimento, expondo a fragilidade estrutural de um país que ainda importa cerca de 25% do diesel que consome. A Petrobras, buscando se proteger de uma volatilidade extrema, reduziu cotas e suspendeu leilões de venda de combustíveis, gerando um alerta vermelho nas distribuidoras, que viram o risco de desabastecimento se tornar concreto. Foi nesse ambiente de incerteza e medo que a narrativa golpista começou a ser costurada.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ciente do estrago político que uma paralisação dos caminhoneiros poderia causar — especialmente em um ano marcado por disputas eleitorais acirradas —, optou por uma resposta em três frentes que contrasta diametralmente com a omissão vista em momentos anteriores da história recente. Enquanto setores da oposição já ensaiavam discursos prontos culpando o “intervencionismo” e a “gestão petista”, o Planalto colocava em prática um pacote de medidas de alto impacto:
No entanto, para a ala mais radical da oposição bolsonarista, os fatos objetivos pouco importam. A estratégia, que já se tornou um padrão de conduta, é clara: transformar qualquer crise — seja ela sanitária, econômica ou geopolítica — em um ataque direto à figura do presidente Lula. Nos discursos nas redes sociais e em articulações nos bastidores, o discurso é orquestrado para fazer crer que a alta do diesel é fruto de “incompetência” ou “ideologia”, ignorando deliberadamente que os mesmos agentes de mercado que hoje são investigados pela PF já atuaram de forma semelhante no passado para desestabilizar governos.
A fala de lideranças como Wallace Landim, que condicionou a paralisação à falta de “sinalização do governo”, foi imediatamente capturada por esses setores. A intenção é clara: reeditar o espírito de 2018, quando uma greve dos caminhoneiros foi utilizada como estopim para desgastar o governo Temer e pavimentar o caminho para o bolsonarismo. Naquele ano, a crise foi usada para justificar uma intervenção militar e criar um clima de “salvador da pátria”. Agora, o objetivo é semelhante: gerar desabastecimento, caos nas cidades e desespero popular para colocar a culpa exclusivamente no campo progressista, tentando sangrar o governo em um ano eleitoral.
A análise de especialistas ouvidos pela imprensa reforça o caráter oportunista dessa movimentação. “O Brasil está exposto a um choque externo. As medidas da ANP e do governo mostram uma ação preventiva e enérgica, algo que não se via em momentos anteriores de estresse”, destacou análise da CNN Brasil, lembrando que a atual gestão herdou uma política de preços que já foi apelidada de “importadora de inflação”. A verdade é que, enquanto o governo federal lida com a complexidade de um mercado de commodities em chamas, a extrema-direita aposta todas as suas fichas no caos.
Felizmente, a suspensão da greve demonstra que, ao contrário do passado, o governo demonstrou capacidade de articulação política para esvaziar os ânimos antes que o barril de pólvora explodisse. A reunião com Boulos e o avanço das investigações da PF são passos fundamentais para isolar os oportunistas que querem usar o caminhoneiro como massa de manobra. Contudo, o alerta permanece. Enquanto a guerra lá fora não acabar, a guerra política aqui dentro continuará sendo alimentada por aqueles que, para voltar ao poder, não hesitam em torcer para que o povo brasileiro enfrente filas nos postos e paralisação na economia. A batalha pela narrativa está apenas começando.
Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, UOL Economia, Congresso em Foco, Diário do Centro do Mundo, CartaCapital, Cenário Energia, Minaspetro ■