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EUA suspendem temporariamente sanções contra petróleo do Irã para conter preços
Medida libera 140 milhões de barris já embarcados por 30 dias; Teerã nega ter estoque excedente e chama ação de "manobra psicológica"
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 21/03/2026

O governo dos Estados Unidos emitiu, no dia 20 de março de 2026, uma licença geral que suspende temporariamente as sanções contra o petróleo iraniano. A medida, válida por 30 dias, autoriza a entrega e venda de cargas de petróleo bruto e derivados que já estavam embarcadas até a data da publicação, com prazo final em 19 de abril. A decisão ocorre em meio à escalada do conflito entre Israel e Irã, que resultou no bloqueio de fato do Estreito de Ormuz e provocou uma forte alta nos preços globais de energia.

De acordo com o Departamento do Tesouro norte-americano, a suspensão das sanções visa aumentar a oferta imediata de petróleo no mercado global. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a medida libera aproximadamente 140 milhões de barris que estavam retidos no mar, o suficiente para suprir o mercado por cerca de duas semanas.

Bessent destacou que a autorização é de "escopo restrito e curto prazo", aplicando-se exclusivamente ao petróleo já em trânsito, e não permitindo novas compras ou produções. A estratégia foi descrita pelo governo como uma forma de "usar os barris iranianos contra Teerã" para manter os preços sob controle enquanto a operação militar "Operation Epic Fury" prossegue.

Principais pontos da medida:

  • Licença emitida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA.
  • Autoriza a venda de petróleo carregado em navios até 20 de março de 2026.
  • Prazo de validade: 30 dias, até 19 de abril de 2026.
  • Inclui transações de importação para os EUA e serviços essenciais como seguros e navegação.

Enquanto Washington tenta aliviar as tensões no mercado de energia, o governo iraniano rejeitou a narrativa americana. O porta-voz do Ministério do Petróleo do Irã, Saman Ghoddoosi, afirmou que o país não possui "crude excedente parado no mar" ou disponível para mercados internacionais além dos contratos já existentes. Ghoddoosi classificou a declaração de Bessent como uma tentativa de "criar esperança para os compradores" e realizar uma "manobra psicológica" para controlar os preços.

Antes do anúncio, a escalada das tensões no Oriente Médio e o fechamento virtual do Estreito de Ormuz fizeram os preços do petróleo dispararem. O barril do tipo Brent chegou a ultrapassar os US$ 104, enquanto o WTI aproximou-se dos US$ 98. Esta é a terceira vez em duas semanas que os EUA recorrem a flexibilizações de sanções para tentar estabilizar o abastecimento energético global, tendo adotado medida semelhante recentemente em relação ao petróleo russo.

Com informações de The Guardian, Reuters, CNBC, Xinhua (????), CCTV (????) ■

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