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Irã condiciona passagem no Estreito de Ormuz a negociações em yuan chinês
Em meio à guerra com Israel e EUA, Teerã avalia liberar tráfego limitado apenas para petroleiros com cargas pagas na moeda chinesa; medida desafia hegemonia do dólar e reconfigura comércio energético global
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQp-pyV4IAP5zGsn2E8c6xEbqkj6riRu3-rtg&s
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■   Bernardo Cahue, 16/03/2026

Uma alta autoridade iraniana informou à CNN que o Irã está considerando permitir a passagem de um número limitado de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, desde que a carga de petróleo seja negociada em yuan chinês. A possível medida faz parte de um novo plano de Teerã para gerenciar o fluxo de navios na região, enquanto o país enfrenta um conflito aberto com Estados Unidos e Israel.

O estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Em condições normais, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) global transitam por seus 33 quilômetros de largura no ponto mais estreito, vindos de países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Catar. A interrupção ou restrição seletiva do tráfego, portanto, tem impacto imediato sobre os preços internacionais da energia e a segurança energética de diversos países.

Desde o início dos ataques norte-americanos e israelenses em 28 de fevereiro de 2026, o cenário na região se deteriorou rapidamente. O Irã chegou a anunciar o fechamento total da via e ameaçou "incendiar" navios que tentassem atravessar. Dados de inteligência marítima confirmam a instalação de minas navais e ataques a embarcações, reduzindo drasticamente o tráfego de petroleiros não iranianos. No entanto, a mesma fonte revelou à CNN que a reabertura seletiva está sendo estudada sob a nova condição financeira.

PONTOS-CHAVE DA PROPOSTA E SEU CONTEXTO:

  • Moeda: O petróleo internacional é negociado majoritariamente em dólares americanos. A exigência do yuan representa um desafio direto ao sistema do petrodólar, vigente desde a década de 1970.
  • Seletividade: Enquanto navios de países aliados a EUA e Israel (como os próprios norte-americanos e israelenses) continuam barrados, embarcações com cargas pagas em yuan — majoritariamente com destino à China — poderiam ter permissão para atravessar.
  • Precedente chinês: A China é a maior compradora de petróleo iraniano. Dados de rastreamento indicam que, mesmo durante o conflito, entre 11,7 milhões e 16,5 milhões de barris iranianos seguiram para o país asiático através do estreito, muitos com os sistemas de localização desligados ("navios-fantasma").
  • Infraestrutura alternativa: O Irã também retomou operações no terminal de Jask, localizado no Golfo de Omã, que permite a exportação de petróleo sem a necessidade de transitar pelo Estreito de Ormuz.

A iniciativa, se formalizada, pode criar um mercado de petróleo bifurcado: um fluxo de barris denominados em yuan, passando por Ormuz sob proteção iraniana, e outro, em dólares, forçado a rotas mais longas e custosas. Analistas ouvidos pelo South China Morning Post alertam para os desafios de implementação e o risco de aumentar ainda mais as tensões entre China e EUA. O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, já havia alertado que qualquer restrição no estreito teria um "impacto imenso" nos esforços humanitários, encarecendo alimentos e medicamentos.

Os países mais dependentes dessa rota, além do Irã, incluem:

  1. Arábia Saudita (que exporta cerca de 6 milhões de barris/dia pelo estreito).
  2. Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
  3. Catar (maior exportador de GNL da região).
  4. China, Índia, Japão e Coreia do Sul (maiores importadores asiáticos que dependem da passagem).

O presidente dos EUA, Donald Trump, já exigiu a retirada imediata das minas navais e ameaçou consequências militares, enquanto os preços do petróleo dispararam, atingindo picos não vistos nos últimos anos. Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente a proposta de vinculação ao yuan.

Com informações de CNN Brasil, BBC News Brasil, South China Morning Post, CNBC, Reuters (via G1), Infomoney, Monitor do Oriente ■

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