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A recente divulgação na imprensa de extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, obtidos pela CPMI do INSS, reacendeu um debate caro à história política e judicial brasileira: o chamado "esquema de morde-assopra". A expressão, cunhada para descrever a dinâmica de vazar informações sigilosas para constranger investigados (o "morder") e, posteriormente, ter esses atos anulados por instâncias superiores (o "assoprar"), encontra paralelos diretos com episódios marcantes da Operação Lava-Jato, em especial o da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobrás e o tratamento dado à então presidente Dilma Rousseff.
No caso atual, a CPMI do INSS aprovou em bloco, no dia 26 de fevereiro de 2026, a quebra dos sigilos de Lulinha. Horas depois, mesmo com a medida sob suspeita de ilegalidade, extratos bancários do filho do presidente foram vazados e divulgaram uma movimentação de R$ 19,5 milhões em quatro anos. A defesa de Lulinha classificou o episódio como "crime grave" e acionou as autoridades. Em um rápido "assopra", o ministro Flávio Dino, do STF, anulou a quebra de sigilo no dia seguinte, considerando a votação "em globo" e sem fundamentação individual como "equivocada". A decisão de Dino não invalidou as investigações, mas obrigou a CPMI a votar novamente os requerimentos de forma individual, caso deseje mantê-los.
A dinâmica guarda semelhanças históricas com o tratamento dado ao caso Pasadena. Em 2006, o Conselho de Administração da Petrobrás, então presidido por Dilma Rousseff, aprovou a compra de 50% da Refinaria de Pasadena, nos EUA, por US$ 359 milhões. O negócio, que mais tarde revelaria um prejuízo bilionário, tornou-se um dos símbolos da Lava-Jato contra o PT. Em 2014, a imprensa revelou o voto de Dilma a favor da compra, baseada em um "resumo tecnicamente falho", segundo ela própria. O caso foi explorado à exaustão.
No entanto, o que se destaca na comparação é o "assopra" que veio a seguir, anos depois, vindo do próprio seio da Lava-Jato. Em 2018, laudos periciais da Polícia Federal, que atuava em conjunto com a força-tarefa, responsabilizaram o Conselho de Administração da Petrobrás pelo prejuízo, mas apontaram que os conselheiros não agiram com "o zelo necessário". Os peritos chegaram a sugerir a quebra dos sigilos bancários de todos os conselheiros, incluindo Dilma, para aprofundar as investigações. A sugestão evidencia que, à época, o método invasivo era visto como padrão.
Para ilustrar a comparação entre os dois momentos e os respectivos contrapontos institucionais, observe os principais pontos:
Em ambos os episódios, observa-se um padrão: a utilização de instrumentos investigativos de forma açodada e, no caso de Lulinha, com clara motivação política para expor adversários, seguida de uma intervenção corretiva do Judiciário. A defesa de Lulinha, em sua nota, ecoou o discurso de vítima de "perseguição política e midiática", termo similar ao usado por aliados de Dilma na época de Pasadena. A diferença crucial, talvez, esteja na velocidade da resposta judicial: enquanto o "assopra" do caso Pasadena levou anos para vir na forma de críticas internas à Lava-Jato, no caso de Lulinha a anulação veio em questão de horas, evidenciando uma mudança no comportamento do STF em relação a atos de CPIs e vazamentos de informação.
Com informações de: BBC News Brasil, CNN Brasil, G1, Poder360, Jornal de Brasília, Valor Econômico, VEJA, Senado Federal (Acervo) ■