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Suposta troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes acirra disputa no STF sobre sigilo e legalidade
Defesa do banqueiro alega que diálogos "talvez editados" vazaram de dentro da PF e pede investigação, enquanto ministro nega contato e Operação Dataleaks mira compradores de dados sigilosos
Analise
Foto: https://emtempo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Vorcaro-e-Moraes.jpg
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■   Bernardo Cahue, 06/03/2026

A nova fase de desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, transferiu o foco das suspeitas de fraudes financeiras para um intrincado embate nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O epicentro da discussão, agora, é a origem e a autenticidade de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, trocadas no dia da primeira prisão do empresário, em 17 de novembro de 2025.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, reproduzida por diversos veículos, Vorcaro teria mantido contato com Moraes ao longo de todo o dia, utilizando um método incomum: escrevia textos no bloco de notas do celular, transformava em print e enviava as imagens como mensagens de visualização única pelo WhatsApp. A tática, segundo a publicação, teria sido usada para evitar o registro das conversas, mas os rascunhos permaneceram salvos no aparelho do banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal (PF).

Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta ao ministro: "Conseguiu bloquear?" e "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?", em um contexto de negociações para a venda do Master ao grupo Fictor, anunciada naquele mesmo dia. A defesa de Vorcaro, no entanto, protocolou um pedido no STF nesta sexta-feira (6) para que seja investigada a origem do vazamento dessas informações. Os advogados classificam os diálogos como "supostos" e "talvez editados e tirados de contexto", ressaltando que o material foi divulgado pela imprensa antes mesmo de a própria defesa ter acesso ao conteúdo extraído dos aparelhos.

  1. O conteúdo das mensagens: Relatos dão conta de que Vorcaro menciona uma "vazada" sobre um "tema de que falamos" e monitora o andamento de investigações, sugerindo que teria conhecimento prévio de diligências contra si .
  2. A negativa de Moraes: Por meio de sua assessoria, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que "não recebeu essas mensagens referidas na matéria" e classificou a informação como "ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal".
  3. O pedido da defesa de Vorcaro: A defesa do banqueiro requer a instauração de um inquérito para identificar a origem dos vazamentos, argumentando que o sigilo foi violado por quem tinha o dever legal de custodiar o material. O objetivo declarado não é investigar jornalistas, mas sim apurar a conduta de agentes públicos responsáveis pela guarda das informações.

Paralelamente a essa controvérsia, a PF deflagrou na última quinta-feira (5) a Operação Dataleaks. A ação visa desarticular uma organização criminosa especializada na venda e disseminação ilegal de dados pessoais e sensíveis de ministros do STF. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisões preventivas em São Paulo, Tocantins e Alagoas. O ministro Alexandre de Moraes é o relator da investigação sigilosa sobre o tema no Supremo .

  • A operação deste ano mira os compradores e disseminadores de informações sigilosas, complementando investigações anteriores que já haviam identificado servidores públicos suspeitos de vazar dados de ministros.
  • As investigações da PF apontam que o grupo investigado tinha acesso a bases governamentais e privadas, obtendo informações mediante fraude e invasão de dispositivos, para posterior comercialização.
  • O contexto de vazamentos coincide com a divulgação de reportagens sobre conexões financeiras entre familiares de ministros do STF e o Banco Master, incluindo a minuta de um contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa de Moraes com a instituição financeira.

Diante desse cenário, a defesa de Vorcaro sustenta que a divulgação de "conversas íntimas" e "supostos diálogos com autoridades" prejudica o esclarecimento dos fatos e expõe terceiros alheios à investigação. Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enfrenta a pressão de setores que consideram as mensagens um elemento novo que tornaria "inexorável" a abertura de uma investigação formal contra Moraes, o que até o momento não ocorreu.

O caso agora se desenrola em duas frentes: uma que busca apurar quem vazou as informações do celular de Vorcaro — possivelmente dentro da própria estrutura de investigação — e outra que investiga quem financiou e se beneficiou da compra de dados sigilosos de ministros da Corte, colocando em xeque a integridade das informações e a segurança das próprias investigações em curso.

Com informações de Agência Brasil, BBC Brasil, CartaCapital, CBN, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, O Globo, Pleno.pt, Reuters, UOL ■

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