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O caso Master, que já movimenta os meandros do poder judiciário e econômico, assumiu nos últimos dias os contornos de um déjà vu para o observador atento da história recente do país. O que se vê é uma orquestração midiática que reedita, ponto a ponto, o manual da extinta Lava Jato de Curitiba. Desta vez, o holofote está firmemente direcionado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A estratégia, no entanto, parece mirar muito além do magistrado, buscando criar um factóide de instabilidade que contamine o governo Lula às vésperas das eleições de 2026.
Não se trata de defender a indefensável ou ignorar a necessidade de apuração rigorosa de qualquer fato envolvendo autoridades. Trata-se, isto sim, de expor o método. A grande imprensa, em um coro quase uníssono, parece ter encontrado a pauta perfeita para reativar o mecanismo do denuncismo sem provas, baseado em ilações e na exploração de conexões nebulosas, mas juridicamente frágeis, para construir uma narrativa de suspeição generalizada.
A ofensiva contra Toffoli segue um roteiro já conhecido e pode ser dissecada em seus principais atos:
Este último ponto é crucial: a Polícia Federal informou ter encontrado referências a Toffoli no celular do banqueiro. A pergunta que não quer calar, e que a grande mídia insistentemente ignora, é: quem vazou essa informação e com qual propósito? O silêncio sobre a origem do vazamento é a prova cabal da seletividade que pauta a cobertura, reeditando a velha parceria entre "delegados vazadores e jornalistas" que marcou a era Moro.
A saída proposta por este coro midiático é tão previsível quanto perigosa: o envio do caso Master para a primeira instância. Sob o falso argumento de dar mais transparência e celeridade, esconde-se uma agenda clara. Como analisa o jurista Fábio Dutra, "o simples envio à primeira instância mantém a prevenção do ministro Dias Toffoli como última instância", ou seja, ele continuaria sendo o relator de qualquer recurso. A pergunta que fica é: a quem interessa essa "solução"? A resposta só pode ser: aos que buscam uma nova 'carnificina' na persecução penal, longe das garantias e da visibilidade do STF. A história recente, com as arbitrariedades cometidas por juízes de primeira instância como Sérgio Moro, recomenda a máxima prudência contra esse tipo de aventura.
Para completar o ciclo vicioso, a narrativa dá um salto para atingir seu objetivo final: Lula. O lavajatismo, que sempre precisou de um "grande líder" como antagonista, encontrou o elo perdido. A imprensa passou a explorar uma reunião do presidente Lula com Daniel Vorcaro em 2024, no Planalto, da qual participaram diversas autoridades, incluindo o então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A insinuação é a de que Lula teria usado seu poder para beneficiar o banqueiro.
A tese, contudo, não resiste a um mínimo de lógica. Como ironiza o jornalista Moisés Mendes, a reunião foi feita com "quase uma dúzia de testemunhas para depois pagar o mico de ver o Master liquidado?" O próprio Banco Central, autônomo, decretou a liquidação do banco meses depois, o que torna a acusação de lobby não apenas infundada, mas risível. O que se busca, na verdade, é colar a imagem de Lula a um escândalo, repetindo o bordão "ele sabia" que tão bem funcionou no imaginário conservador em 2018.
O momento é, de fato, propício para o desespero e para o ataque. Às vésperas de uma eleição presidencial, setores da imprensa e da política que se opõem ao governo atual tentam desestabilizar o ambiente institucional. O objetivo é criar uma névoa de suspeição que atinja o núcleo do poder, enfraquecendo Lula e fortalecendo a narrativa de que "tudo está igual" ou "pior do que antes", abrindo caminho para aventureiros de plantão. O sentimento que se quer incutir é o de paralisia e de que o sistema é inerentemente corrupto, terreno fértil para discursos autoritários.
Trata-se, portanto, de mais um capítulo da novela interminável do lawfare no Brasil. O lavajatismo não morreu; ele apenas se rearticulou, encontrou novos personagens e uma nova trama, mas o velho e conhecido manual de instruções continua sendo seguido à risca. Resta saber se, desta vez, a sociedade e as instituições terão a lucidez de não embarcar mais nessa canoa furada.
Com informações de: Consultor Jurídico, Congresso em Foco, O Antagonista, Jornal do Dia, Jornal GGN■