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UBS manteve Ghislaine Maxwell como cliente VIP e moveu milhões após prisão de Epstein
Banco suíço abriu contas para a condenada por tráfico sexual em 2014 e continuou a fornecer serviços bancários mesmo após a detenção do financiador em 2019, de acordo com e-mails e extratos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA
America do Norte
Foto: https://d3i6fh83elv35t.cloudfront.net/static/2025/08/GettyImages-615550844-1024x693.jpg
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

Novos documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram detalhes profundos sobre o relacionamento bancário de longa data entre o gigante financeiro suíço UBS e Ghislaine Maxwell. Os arquivos mostram que o banco não apenas a recebeu como cliente em 2014, após o JPMorgan Chase ter cortado laços com seu associado Jeffrey Epstein, mas também continuou movimentando seu dinheiro após a prisão de Epstein em 2019, gerenciando um patrimônio que chegou a US$ 19 milhões.

Os documentos, parte de um conjunto maior de milhões de páginas relacionadas ao caso Epstein liberadas recentemente, incluem e-mails e extratos bancários. Eles demonstram que o UBS abriu contas pessoais e corporativas para Maxwell, que continham dinheiro, ações e investimentos em fundos hedge. O banco designou dois gerentes de relacionamento dedicados a ela, que a ajudaram a movimentar milhões de dólares e lhe concederam benefícios reservados para clientes de alta renda.

A relação do UBS com Maxwell começou através de uma apresentação de alto nível. Em dezembro de 2013, David Wassong, então sócio da Soros Private Equity Partners, apresentou Maxwell ao banco por e-mail, descrevendo-a como "uma das minhas melhores amigas". A transição do JPMorgan foi tratada como urgente: em 14 de fevereiro de 2014, um e-mail pedia ao UBS para "agilizar essa transição", pois Maxwell viajaria "por mais de um mês na próxima semana".

  • Valores e Movimentações: Em fevereiro de 2014, uma de suas contas no UBS já tinha cerca de US$ 2 milhões. Ao longo dos anos, as movimentações incluíram um pagamento de US$ 2,5 milhões para Scott Borgerson, com quem ela se casou em 2016.
  • Serviços Continuados Após a Prisão de Epstein: Um dos detalhes mais significativos mostra que, em 22 de julho de 2019 — apenas 16 dias após a prisão de Epstein — o UBS, a pedido de Maxwell, transferiu US$ 130.000 de sua conta poupança para a conta corrente para ajudar a pagar uma fatura do cartão American Express.
  • Entidades Beneficiadas: As contas foram usadas para suas despesas pessoais e para negócios, incluindo sua organização beneficente TerraMar Project e entidades como Ellmax, Pot & Kettle, Max Foundation e Max Hotel Services.

O caso levanta questões sobre a avaliação de risco e a diligência devida realizada pelo banco. O JPMorgan havia classificado Maxwell como uma "Cliente de Alto Risco" em verificações internas de "conheça seu cliente" (KYC) já em 2011, devido aos seus vínculos com Epstein. Em 2013, o JPMorgan decidiu encerrar as contas de Epstein. Curiosamente, em 2014, o próprio UBS brevemente forneceu um cartão de crédito a Epstein, mas fechou a conta meses depois, com um contador de Epstein informando que a decisão foi tomada devido ao "risco reputacional". No entanto, o banco manteve sua relação com Maxwell por anos depois disso, apesar da publicidade em torno de sua proximidade com Epstein.

Os documentos também revelam conexões com grandes escritórios de advocacia. Pelo menos quatro e-mails mostram Maxwell transferindo fundos de suas contas no UBS para a conta fiduciária de clientes do escritório Jones Day em 2017, com valores que totalizam centenas de milhares de dólares. A natureza exata do trabalho jurídico não está clara nos arquivos.

  1. Fevereiro de 2017: Transferência de US$ 25.000 para a conta fiduciária da Jones Day.
  2. Abril de 2017: Confirmação de uma transferência de US$ 31.746,50 para a Jones Day.
  3. Setembro de 2017: Uma equipe de quatro funcionários do UBS confirma a transferência de US$ 218.791,31 para a Jones Day.

Em agosto de 2019, um mês após a prisão de Epstein, o UBS recebeu uma intimação de um grande júri relacionada a Maxwell, de acordo com uma carta do banco ao FBI. O UBS forneceu ao FBI informações sobre transferências bancárias naquele momento. O UBS se recusou a comentar sobre o caso para a Reuters, não respondendo a perguntas sobre por que aceitou uma cliente considerada de alto risco por outro banco. Não há evidência de irregularidade por parte do UBS ou de seus assessores, e alguns documentos indicam que o banco realizou procedimentos de due diligence antes da transferência das contas.

Com informações de Yahoo Finance, Brasil 247, Straits Times, Above the Law ■

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