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A expiração do Tratado New START à meia-noite de quarta-feira (5 de fevereiro) marcou um ponto de inflexão na segurança global. Pela primeira vez desde 1972, não há mais um acordo vinculante limitando o tamanho e a composição dos arsenais nucleares estratégicos da Rússia e dos Estados Unidos, países que juntos detêm mais de 90% das ogivas nucleares do planeta. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como “sério para a paz e a segurança internacionais”, alertando que o risco do uso de armas nucleares é o mais alto em décadas.
Propostas em jogo e respostas divergentes
Nos meses que antecederam a expiração, diferentes propostas foram colocadas na mesa, revelando posições profundamente divididas:
O que se perde com o fim do New START
O Tratado New START, em vigor desde 2011, estabelecia limites verificáveis ??e era considerado um pilar da estabilidade estratégica. Sua expiração tem consequências concretas:
Análise: Um sistema em colapso e um futuro incerto
Especialistas em desarmamento veem a expiração não como um evento isolado, mas como o colapso final de um sistema de controle de armas construído ao longo de décadas, desde os tempos da Guerra Fria. O fim do New START ocorre em um contexto geopolítico marcado pela guerra na Ucrânia e pela crescente rivalidade entre grandes potências, onde a confiança para negociações bilaterais é praticamente inexistente.
Os países já estão em uma corrida pela modernização de seus arsenais. A Rússia desenvolve novos sistemas como o míssil de cruzeiro com propulsão nuclear “Burevestnik” e o torpedo nuclear “Poseidon”, que não eram cobertos pelo New START. Os Estados Unidos, por sua vez, seguem com planos de modernizar seus mísseis, submarinos e bombardeiros. A ausência de limites pode acelerar esses programas e levar a um aumento quantitativo dos estoques, algo que não acontecia há décadas.
Para o Secretário-Geral da ONU, este momento também representa uma “oportunidade para reiniciar o regime de controle de armas” e criar um novo quadro adaptado aos desafios atuais. No entanto, qualquer futuro acordo terá de lidar com questões muito mais complexas, como a inclusão de outras potências nucleares (principalmente a China), o avanço de sistemas de defesa antimísseis e o surgimento de novas tecnologias de armas convencionais de longo alcance. No curto prazo, a comunidade internacional assiste com apreensão a um cenário de imprevisibilidade e risco crescente.
Com informações de news.un.org, vcdnp.org, Yahoo News, Reuters, CNN Espanol, European External Action Service (EEAS) ■