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Medo e solidariedade em Minneapolis: operação de imigração altera rotina e mobiliza comunidades
Pastor afirma que migrantes têm medo até de levar o lixo para fora; igreja já distribuiu mais de 12 mil caixas de alimentos para famílias em pânico. Operação federal já prendeu mais de 4 mil pessoas e gerou ações judiciais
America do Norte
Foto: https://assets.brasildefato.com.br/2026/01/UsImmigrationOfficerKillsWomanInMinneapolis.jpg
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■   Bernardo Cahue, 05/02/2026

A afirmação do pastor evangélico Sergio Amezcua de que imigrantes em Minneapolis, Minnesota, têm medo até de sair de casa para levar o lixo à rua sintetiza o clima de terror instalado por uma operação massiva de imigração. A "Operação Metro Surge", ordenada pelo governo Trump, deslocou mais de 3.000 agentes federais para a região, resultando em milhares de detenções, dois tiroteios fatais e uma crise humanitária que obriga comunidades a se organizarem para sobreviver.

Uma Igreja na Linha de Frente

Pastor da igreja Iglesia Dios Habla Hoy (DHH), Sergio Amezcua iniciou um mutirão de distribuição de alimentos quando percebeu o pânico em sua congregação, majoritariamente hispânica. O que começou com um formulário online para 10 famílias se transformou em uma operação que já atendeu cerca de 24.000 famílias registradas e distribuiu mais de 12.000 caixas de mantimentos.

"Eles têm medo de sair. Não vão trabalhar. E alguns estão passando fome", descreveu Amezcua. A operação da igreja conta com até 400 voluntários por dia e até o apoio de policiais comunitários locais. "Parece que estamos respondendo a um furacão. Mas é uma catástrofe mental o que o governo está fazendo conosco em Minnesota".

A "Operação Metro Surge" e suas Consequências

Iniciada em dezembro de 2025, a operação mobilizou agentes mascarados da Imigração e Controle Alfandegário (ICE) e da Patrulha de Fronteira (CBP) em bairros de Minneapolis e Saint Paul. As autoridades federais afirmam que o objetivo é prender e deportar imigrantes com registros criminais, tendo detido mais de 4.000 pessoas por crimes que vão de homicídio a infrações de trânsito.

No entanto, as táticas têm sido amplamente criticadas:

  • Paradas e prisões sem mandado: A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) moveu uma ação coletiva, alegando que agentes param pessoas aleatoriamente com base na aparência ou sotaque, sem causa provável. Um cidadão americano de 20 anos relatou ter sido algemado e levado para um centro mesmo repetindo "sou cidadão".
  • Uso de força letal: Em janeiro, dois cidadãos americanos foram mortos a tiros por agentes federais em incidentes separados: Renee Good e Alex Pretti, um enfermeiro. Vídeos e relatos contestam a versão oficial de que eles representavam uma ameaça.
  • Impacto social e econômico: Escolas entraram em lockdown, empresas fecharam e comércios relatam quedas de 50% a 80% na receita. O departamento de polícia de Minneapolis gastou mais de US$ 2 milhões em horas extras em apenas alguns dias para lidar com o caos.

Reações Oficiais e Judicialização

O estado de Minnesota e as cidades de Minneapolis e Saint Paul moveram uma ação federal, acusando a operação de ser inconstitucional e motivada por retaliação política. "Minnesota é corrupta", disse o presidente Trump, alegando ter ganho o estado fraudulentamente nas eleições.

Em meio à pressão, o "czar da fronteira" Tom Homan anunciou no dia 4 de fevereiro a retirada de 700 agentes do estado, citando maior cooperação local. No entanto, ele reafirmou: "O presidente Trump pretende realizar deportações em massa". A operação continua.

O Dilema dos Empregadores e a Resistência Civil

O ambiente de negócios foi profundamente afetado. Após a detenção de dois funcionários dentro de uma loja da Target em janeiro, mais de 300 empregados assinaram uma carta interna exigindo que a empresa, cuja sede é em Minneapolis, tomasse uma posição mais firme.

Enquanto isso, a solidariedade comunitária se espalha. Além do trabalho da igreja DHH, famílias em Minneapolis abrigam crianças cujos pais foram detidos. Feliza Martínez, uma voluntária que se arrepende de ter votado em Trump, abrigou oito irmãos após a detenção da mãe: "O que eles estão fazendo não é cristão".

O Futuro Incerto

Com a operação planejada para seguir até pelo menos junho, conforme reservas de hotel dos agentes, o pastor Amezcua e milhares de voluntários se preparam para um trabalho de longa duração. "Fazemos isso pela graça de Deus", diz o pastor. Para as famílias imigrantes, a rotina se resume a uma escolha angustiante: arriscar a detenção ao sair para trabalhar ou depender da caridade para comer.

Com informações de: G1, Minneapolis Government News, Al Jazeera, MPR News, ACLU, CNN, Jornal de Notícias, France 24, BBC, Good Good Good ■

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