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O cenário do trabalho no Rio de Janeiro apresenta um novo e alarmante padrão: os transtornos de ansiedade tornaram-se a principal causa de afastamento por incapacidade temporária entre os trabalhadores. Este fenônio não é isolado, mas o reflexo local de uma epidemia de saúde mental que atinge todo o Brasil, país considerado o mais ansioso do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados nacionais recentes da Iniciativa SmartLab de Trabalho Decente, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho e pela Organização Internacional do Trabalho, revelam a gravidade da situação: entre 2022 e 2024, os benefícios por incapacidade temporária associados à saúde mental mais que dobraram, com um aumento de 134%. Nesse período, a ansiedade foi responsável por 27,4% dos afastamentos acidentários por problemas mentais, perdendo apenas para as reações ao estresse grave.
No contexto do Rio de Janeiro, uma metrópole com mais de 6,7 milhões de habitantes e grande centro econômico e financeiro, os fatores que alimentam essa crise se intensificam. A população economicamente ativa da cidade está exposta a um coquetel de pressões que inclui:
Um retrato mais amplo mostra que, embora 68% dos brasileiros relatem sentir nervosismo ou ansiedade, mais da metade nunca procurou ajuda profissional. Isso indica que os afastamentos formais podem representar apenas a ponta do iceberg do sofrimento psicológico no ambiente laboral.
Os impactos são profundos. Para os trabalhadores, há o agravamento do quadro de saúde. Para as empresas e a previdência, os custos são enormes. Em âmbito nacional, os gastos com benefícios acidentários por doença ou acidente de trabalho já somam R$ 173 bilhões desde 2012. O processo de afastamento também se tornou mais regulado: uma portaria recente do INSS limitou a 60 dias o benefício por incapacidade concedido apenas por análise de atestados médicos (Atestmed), exigindo perícia presencial para períodos maiores.
Especialistas e instituições defendem que a solução passa pela prevenção. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apoia campanhas como o Janeiro Branco, que incentiva o cuidado com a saúde mental. Em uma mudança significativa, a Norma Regulamentadora nº 1 do Ministério do Trabalho passou a incluir a obrigatoriedade de avaliação de riscos psicossociais, como estresse e assédio, na gestão de Saúde e Segurança no Trabalho.
O diretor da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro, resume: "É preciso internalizar que o investimento em saúde é um ganha-ganha... O investimento na promoção da saúde mental beneficia toda a sociedade". Enfrentar essa crise, portanto, deixa de ser uma opção e torna-se uma necessidade urgente para a sustentabilidade do mercado de trabalho no Rio e no país.
Com informações de: Veja, CNN Brasil, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Observatório da Saúde Pública, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), IEPREV, Wikipédia, Organização Internacional do Trabalho (OIT) / Nações Unidas Brasil ■