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Supremo Líder do Irã alerta que ataque dos EUA desencadearia "guerra regional"
Em discurso marcante, Ali Khamenei classificou protestos internos como tentativa de "golpe" e respondeu às ameaças militares norte-americanas, enquanto canais diplomáticos permanecem ativos nos bastidores
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 01/02/2026

O Supremo Líder do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, advertiu neste domingo (01/02/2026) que qualquer ataque militar dos Estados Unidos resultaria em uma "guerra regional", em um de seus discursos públicos mais diretos e desafiadores desde o início da recente crise. A declaração foi feita durante um discurso para centenas de pessoas em Teerã, marcando o 47º aniversário do retorno ao Irã do Aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica. Khamenei afirmou que o Irã não é o instigador de conflitos, mas prometeu uma resposta severa: "Não pretendemos atacar nenhum país, mas a nação iraniana desferirá um duro golpe a qualquer um que a atacar ou hostilizar".

A advertência ocorre em um contexto de extrema tensão, com uma significativa movimentação militar norte-americana na região. O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou o porta-aviões USS Abraham Lincoln e um grupo de navios de guerra para o Mar da Arábia. Em resposta, o Irã colocou suas Forças Armadas em alerta máximo. Apesar da retórica bélica, ambos os lados sinalizaram, de formas contraditórias, uma abertura para a diplomacia. Trump afirmou que o Irã está "falando seriamente conosco" sobre um acordo nuclear, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que uma guerra "não interessa a nenhum dos lados".

Khamenei dedicou parte substancial de seu discurso para se referir aos protestos massivos que abalaram o país no início de janeiro, classificando-os como um "golpe de Estado" que teria sido sufocado. Ele acusou os manifestantes de atacar edifícios públicos, forças de segurança e mesquitas, e de queimar exemplares do Alcorão, sustentando que os distúrbios foram fomentados pelos Estados Unidos e por Israel. As manifestações começaram como um protesto contra o alto custo de vida, mas rapidamente evoluíram para um movimento de oposição ao governo.

Os números da repressão são altamente contestados:

  • O governo iraniano reconhece mais de 3.000 mortes, afirmando que muitas eram de forças de segurança e "terroristas".
  • Já organizações internacionais de direitos humanos, como a Human Rights Activists News Agency, estimam que a violência tenha matado mais de 6.700 pessoas, a grande maioria manifestantes, e que mais de 49.500 tenham sido detidas.

A tensão se expandiu para o cenário internacional, com o Irã adotando uma medida retaliatória simbólica contra a União Europeia. Após a UE incluir o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em sua lista de organizações terroristas, o Parlamento iraniano, em sessão onde deputados vestiram uniformes da Guarda, declarou todos os exércitos dos países da UE como "grupos terroristas". Parlamentares foram filmados entoando slogans como "Morte aos Estados Unidos" e "Vergonha para a Europa".

A possibilidade de um conflito aberto gira em torno de dois fatores principais:

  1. O programa nuclear iraniano: Os EUA e potências ocidentais pressionam o Irã por um acordo que limite suas atividades nucleares, que Teerã insiste ter fins apenas pacíficos. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse estar "confiante" na possibilidade de um acordo, mas condicionou qualquer negociação ao levantamento das sanções norte-americanas.
  2. A violenta repressão aos protestos: O presidente Trump estabeleceu como "linhas vermelhas" para uma ação militar o assassinato de manifestantes pacíficos ou a execução em massa dos detidos.

No cenário regional, a preocupação com uma escalada é palpável. O Irã havia anunciado exercícios navais de tiro real no estratégico Estreito de Hormuz – por onde passa um quinto do petróleo comercializado globalmente –, mas os cancelou no último momento. O país já ameaçou anteriormente fechar o estreito se for atacado. Enquanto isso, potências regionais como Catar e Egito realizam intensa mediação diplomática para evitar o conflito.

Com informações de: RFI, UOL, CBC, BBC, CNN Brasil, Brasil de Fato, OPB, Al Jazeera, Swissinfo, Infomoney ■

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