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A confirmação de que agentes da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) atuariam nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 desencadeou uma onda de protestos e um acalorado debate político na Itália, colocando em choque visões opostas sobre segurança, soberania e direitos humanos.
No sábado, 31 de janeiro, centenas de pessoas reuniram-se na Piazza XXV Aprile, em Milão, um local simbolicamente carregado por celebrar a libertação da Itália do fascismo em 1945. Os manifestantes, incluindo membros de partidos de oposição (como o Partido Democrata e o Movimento 5 Estrelas), sindicatos (como a CGIL) e associações de veteranos, expressaram sua rejeição à presença do ICE no território italiano. O som de apitos, uma referência a práticas usadas nos EUA para alertar sobre a aproximação de agentes de imigração, ecoou pela praça.
Os cartazes e faixas traduziam a indignação: "ICE = Gestapo", "Ice Out", "Não os queremos aqui" e "Nunca mais significa nunca mais para qualquer pessoa". Muitos manifestantes carregavam fotos de Alex Pretti e Renée Good, cidadãos americanos mortos em operações recentes do ICE em Minneapolis, ligando diretamente a violência nos EUA à presença indesejada dos agentes na Itália.
Política e soberania no centro do debate
A controvérsia rapidamente escalou para uma crise política. O prefeito de Milão, Beppe Sala, foi um dos mais veementes, classificando o ICE como uma "milícia que mata" e questionando: "Será que podemos dizer não a Trump ao menos uma vez?". Políticos da oposição acusaram o governo conservador da primeira-ministra Giorgia Meloni de subserviência ao ex-presidente americano Donald Trump.
A reação do governo italiano foi marcada por confusão e contradições iniciais:
Afinal, qual seria o papel do ICE na Itália?
As informações oficiais buscam delimitar estritamente a atuação dos agentes americanos:
Para os críticos, no entanto, essa distinção é irrelevante. "Mesmo que não sejam os mesmos [agentes], não os queremos aqui", disse a manifestante Silvana Grassi. O sindicato Filcams CGIL argumentou que é "intolerável acolher no nosso país elementos da milícia que se maculou de tais violências e abusos". A controvérsia levou até mesmo a um apelo do Papa Leão XIV, que pediu que os Jogos fossem um momento para "passos concretos em direção à desescalada e ao diálogo".
Cenário mais amplo de tensões
O protesto contra o ICE ocorre em um contexto de preocupações mais amplas na Itália sobre os preparativos para as Olimpíadas. Enquanto o governo mobiliza cerca de 6.000 agentes de segurança, sindicatos da polícia denunciam a falta de equipamento adequado contra o frio para os oficiais destacados nas montanhas, acusando o Ministério do Interior de "improvização" e desrespeito. Paralelamente, a autoridade antitruste italiana investiga uma marca de moda por supostamente realizar "marketing parasitário" não autorizado associado aos Jogos.
O tema deve continuar quente nos próximos dias, com uma interpelação parlamentar marcada para questionar o ministro Piantedosi sobre o assunto e os Jogos prestes a começarem, sob um manto de debate que vai muito além do esporte.
Com informações de: Euronews, G1, BBC, Deutsche Welle, Rai News, Associated Press, Il Fatto Quotidiano ■