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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (19) que a Dinamarca falhou em "afastar a ameaça russa da Groenlândia" e declarou que "agora é a hora" de os EUA agirem. A declaração é a mais recente em uma escalada de ameaças do mandatário americano, que desde o início de seu segundo mandato, há um ano, busca anexar o território autônomo dinamarquês, justificando a ação como "vital" para a segurança nacional dos EUA e para a construção do escudo antimísseis "Domo de Ouro".
Como retaliação à oposição de nações europeias, Trump ameaçou impor tarifas de importação a oito aliados: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. As tarifas começariam em 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026, podendo subir para 25% em 1º de junho, e permaneceriam até que "um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia".
O interesse dos EUA pela Groenlândia não é novo e remonta ao século 19. Em 1867, o mesmo ano da compra do Alasca, políticos americanos já consideravam anexar a ilha. A posição estratégica no Atlântico Norte motivou novas tentativas, incluindo uma oferta formal de compra por US$ 100 milhões em 1946, ao final da Segunda Guerra Mundial. A justificativa sempre foi geopolítica: durante a Guerra Fria, assessores alertavam que a Groenlândia oferecia uma posição fundamental para monitorar a União Soviética.
Trump reviveu e intensificou essa ambição. Ele justifica que a Dinamarca e a Otan falharam por mais de 20 anos em conter ameaças russas e chinesas na região, e que apenas os EUA podem garantir a segurança da ilha. Em uma carta ao primeiro-ministro norueguês, Trump afirmou que "não se sente mais obrigado a pensar puramente na paz", sinalizando uma disposição para ações mais agressivas.
A reação dos aliados europeus foi rápida e de condenação unânime. Nos últimos dias, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram um contingente simbólico de tropas para a Groenlândia, a pedido da Dinamarca, em uma operação de reconhecimento chamada "Arctic Endurance". A França anunciou o envio de 15 militares e prometeu reforçar com "ativos terrestres, aéreos e marítimos".
Líderes europeus foram contundentes em suas críticas:
Embaixadores dos 27 países da União Europeia realizaram uma reunião de emergência no domingo (18) para discutir uma resposta conjunta à ameaça tarifária de Trump.
O governo e a população da Groenlândia têm se manifestado de forma veemente contra os planos de Trump. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, foi direto: "A Groenlândia não quer ser propriedade dos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos". Ele afirmou que, se seu povo for forçado a escolher, optará pela Dinamarca e não pelos EUA.
No sábado (17), milhares de pessoas protestaram contra a anexação tanto na capital groenlandesa, Nuuk, quanto em cidades da Dinamarca. A ministra groenlandesa Naaja Nathanielsen agradeceu publicamente o apoio das nações europeias, afirmando que "vivemos em tempos extraordinários que exigem não apenas decidez, mas também muita coragem".
A crise revela a imensa importância estratégica que a Groenlândia adquiriu no século 21, transformando-se em um hotspot geopolítico. Os motivos vão além da militarização:
A crise coloca a Otan em um território inexplorado e perigoso: um conflito entre dois de seus próprios membros (EUA e Dinamarca). O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou que qualquer intervenção militar americana na Groenlândia "seria um desastre político" e que "um conflito ou tentativa de anexação do território de um membro da Otan por outro marcaria o fim do mundo como o conhecemos". Enquanto isso, o governo groenlandês e seus apoiadores europeus se preparam para um confronto diplomático e econômico que pode redefinir as alianças do pós-Guerra Fria.
Com informações de: G1, CNN Brasil, BBC, Tagesschau, ZEIT ONLINE, Deutschlandfunk ■