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New York Times classifica ataque de Trump à Venezuela como "ilegal e imprudente"
Conselho editorial do jornal acusa o presidente de "belicismo" que viola a lei dos EUA e adverte para riscos de instabilidade regional e danos duradouros aos interesses americanos
America do Norte
Foto: https://ikona.telesurtv.net/content/uploads/2026/01/5966336983426599883.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

Em uma crítica severa publicada no dia 3 de janeiro de 2026, o Conselho Editorial do The New York Times condenou veementemente o ataque militar ordenado pelo presidente Donald Trump contra a Venezuela e a captura do líder Nicolás Maduro. O editorial, intitulado “O Ataque de Trump à Venezuela é Ilegal e Imprudente”, argumenta que a ação, realizada sem autorização do Congresso, viola a Constituição dos Estados Unidos e representa uma política externa perigosa e precipitada.

O ataque militar em larga escala, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, ocorreu na madrugada de sábado. Trump anunciou a operação em suas redes sociais e posteriormente em uma conferência de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida. O presidente descreveu ter assistido ao vivo, "como se fosse um programa de televisão", à invasão do esconderijo de Maduro pela força especial Delta Force, uma operação planejada durante meses que incluiu a construção de uma réplica do local para treinamento.

As Críticas Centrais do Editorial

O conselho editorial do Times estrutura sua condenação em três pilares principais: a ilegalidade doméstica, a falta de legitimidade internacional e os precedentes históricos desastrosos de intervenções americanas.

Em primeiro lugar, o editorial é incisivo ao afirmar que “o belicismo do Sr. Trump viola a lei”. O texto aponta que o presidente não procurou nem obteve a aprovação do Congresso para a ação militar, um requisito constitucional. “Se o Sr. Trump quiser argumentar o contrário, a Constituição deixa claro o que ele deve fazer: ir ao Congresso. Sem a aprovação do Congresso, suas ações violam a lei dos EUA”, escreve o conselho.

Além da questão legal, o jornal questiona as justificativas apresentadas pela administração Trump. O editorial descreve como “particularmente ridícula” a alegação nominal de que a ação visava combater “narco-terroristas”. Em vez disso, o texto sugere que a ação se alinha com uma estratégia de segurança nacional publicada por Trump, na qual ele afirma que os EUA têm “o direito de dominar a América Latina”. “A Venezuela aparentemente se tornou o primeiro país sujeito a este imperialismo moderno”, alerta o editorial.

Lições da História e Alertas para o Futuro

Talvez a parte mais contundente do texto seja o apelo à cautela baseado em falhas passadas da política externa dos EUA. O New York Times lembra que tentativas de derrubar regimes, mesmo os mais deploráveis, podem piorar a situação.

  • Afeganistão e Iraque: O editorial cita os 20 anos de esforços frustrados para criar um governo estável no Afeganistão e as “trágicas consequências” da guerra de 2003 no Iraque, que ainda afetam os EUA e o Oriente Médio.
  • América Latina: O texto traz à tona um histórico sensível para a região: “Os EUA desestabilizaram intermitentemente países da América Latina, incluindo Chile, Cuba, Guatemala e Nicarágua, ao tentar derrubar um governo pela força”.

O conselho editorial expressa temor de que o resultado do “aventureirismo de Trump” seja o aumento do sofrimento para os venezuelanos, a instabilidade regional crescente e danos duradouros aos interesses americanos no mundo. O editorial também adverte que, ao agir sem legitimidade internacional, Trump “corre o risco de dar justificação a autoritários na China, Rússia e outros lugares que buscam dominar seus próprios vizinhos”.

Contexto da Operação Militar e Reações

A operação, descrita por Trump como um “ataque em larga escala”, incluiu bombardeios em múltiplos locais estratégicos na Venezuela, segundo listou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Entre os alvos estariam:

  • A base aérea La Carlota e o complexo militar principal Fuerte Tiuna, em Caracas.
  • O Palácio Legislativo Federal e o Palácio Presidencial de Miraflores.
  • Outras bases militares e aeroportos no interior do país.

A ação gerou uma divisão política imediata nos Estados Unidos. Enquanto republicanos no Congresso comemoraram a operação, democratas levantaram preocupações constitucionais e acusaram a administração Trump de deturpar seus objetivos na Venezuela. Internamente, o governo venezuelano, através da vice-presidente Delcy Rodríguez, exigiu “prova de vida” de Maduro e de sua esposa, afirmando ter perdido contato com eles.

Com informações de: The New York Times, Yahoo News, La Nación, Al Jazeera ■

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